Trend promete aumentar a chance de gravidez ao longo de 90 dias, mas especialistas alertam para exageros e riscos de intervenções radicais
Uma nova tendência que ganhou força nas redes sociais, principalmente no TikTok, tem chamado a atenção de mulheres que desejam engravidar. Conhecido como “trimestre zero”, o conceito propõe três meses de preparação intensa antes da tentativa de concepção, com mudanças na alimentação, rotina de exercícios, uso de suplementos e até eliminação de produtos considerados tóxicos.
Apesar da proposta parecer promissora, especialistas afirmam que a ideia tem apenas uma base parcial na ciência. Isso porque tanto óvulos quanto espermatozoides levam cerca de 90 dias para amadurecer, o que significa que hábitos nesse período podem, sim, influenciar a qualidade dessas células. Ainda assim, não existe garantia de aumento significativo da fertilidade apenas com essas mudanças.
Estudos recentes mostram que intervenções no estilo de vida antes da gravidez não aumentam de forma relevante as chances de gestação em pessoas já saudáveis. Os benefícios aparecem principalmente em quem tem obesidade, problemas metabólicos ou infertilidade diagnosticada.
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Outro ponto de preocupação é o exagero. Muitas rotinas divulgadas incluem dietas restritivas, treinos intensos e perda de peso acelerada, o que pode causar o efeito contrário e desregular hormônios, prejudicando a ovulação. Além disso, o excesso de pressão pode aumentar ansiedade e estresse, fatores que também dificultam a gravidez.
Especialistas também alertam que não é possível “melhorar drasticamente” a qualidade dos óvulos em apenas três meses, já que isso depende de processos biológicos complexos. A reserva ovariana, por exemplo, é definida antes mesmo do nascimento e diminui naturalmente com o tempo, especialmente após os 35 anos.
Outro erro comum da tendência é ignorar o papel do homem. A fertilidade é responsabilidade do casal, e fatores como tabagismo, álcool, sedentarismo e doenças também afetam diretamente a qualidade do sêmen.
Apesar das críticas, algumas mudanças defendidas pelo “trimestre zero” fazem sentido, como parar de fumar, reduzir o álcool, manter um peso saudável e suplementar ácido fólico, importante para prevenir malformações no bebê. O controle de doenças crônicas, vacinação e acompanhamento médico também são fundamentais.
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No fim, o consenso médico é claro: não existe fórmula mágica. Cuidar da saúde reprodutiva deve ser um processo contínuo, e não apenas uma corrida intensa de três meses antes de tentar engravidar.