A Advocacia-Geral da União (AGU) vem ampliando de forma significativa as chamadas ações regressivas por feminicídio, com o objetivo de responsabilizar financeiramente agressores condenados pelo crime, obrigando-os a devolver aos cofres públicos os valores pagos em pensões por morte concedidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo dados do órgão, o número de processos desse tipo cresceu oito vezes nos últimos três anos: foram 12 ações em 2023, 54 em 2024 e 100 apenas no ano passado.
No início deste mês, a Justiça Federal em Marília condenou um homem a ressarcir o INSS pelos valores pagos à filha de dois anos de idade após o assassinato da mãe, vítima de feminicídio cometido pelo próprio pai da criança.
Veja também

Ambev mantém demissão de gerente após 'brincadeira' com álcool em gel em happy hour
Acusado de matar adolescente é levado a ala de segurança máxima da Papuda
O agressor foi sentenciado pelo Tribunal do Júri a 26 anos de prisão. Com a morte da mulher, o INSS passou a pagar pensão mensal de R$ 1.518 à criança desde setembro de 2021, benefício que pode se estender até 2040. Com a ação regressiva, o condenado terá de arcar com todos os valores já pagos e também com os futuros, assumindo integralmente o ônus financeiro.
A estratégia da AGU é ampliar essa política em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cruzando informações de condenações por feminicídio com os registros do INSS. De acordo com a procuradora-geral federal Adriana Venturini, a meta é alcançar todas as 27 unidades da federação.
“A ideia é possibilitar que nenhum pagamento previdenciário decorrente de violência doméstica fique sem resposta da AGU. Não é justo que essa conta recaia sobre toda a sociedade”, afirmou.
A iniciativa também busca impedir que o próprio autor do crime receba pensão por morte. Quando há filhos menores, o benefício é mantido normalmente para evitar nova revitimização, mas o agressor passa a ser cobrado judicialmente.
Atualmente, o projeto já está em funcionamento em 13 estados. Somente em 2025, foram cobradas judicialmente 113 pensões por morte, com expectativa de recuperação de cerca de R$ 25 milhões.
Para a AGU, a política vai além do ressarcimento financeiro e tem caráter preventivo. “A proposta é criar uma cultura de responsabilização integral, mostrando que o autor do feminicídio responderá não apenas criminalmente, mas também economicamente”, destacou Venturini.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O órgão já prepara o ajuizamento de dezenas de novas ações regressivas para o próximo mês, período em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher.