A seca provocada ou agravada pelas condições associadas ao El Niño de 2024 atingiu em cheio milhares de localidades da Amazônia. Um levantamento realizado pelo MapBiomas identificou que 2.172 das 5.673 localidades analisadas no bioma, o equivalente a 38%, ficaram altamente expostas à estiagem entre setembro e novembro daquele ano.
O estudo cruzou informações sobre a redução da superfície de água e os índices de precipitação para dimensionar os impactos da seca sobre áreas onde vivem populações amazônicas.
A análise considerou diferentes tipos de ocupação, incluindo cidades, vilas, povoados, núcleos urbanos e rurais, comunidades indígenas e quilombolas e áreas de assentamento.
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QUASE TODA A REGIÃO SENTIU A REDUÇÃO DA ÁGUA
Os números mostram a dimensão do problema. Das localidades analisadas, 5.273, ou 93% do total, estavam a até cinco quilômetros de áreas que registraram redução da superfície de água.
Entre setembro e novembro de 2024, a Amazônia perdeu aproximadamente 1,9 milhão de hectares de superfície de água em relação à média histórica considerada pelo levantamento.
No mesmo período, a temperatura máxima ficou 2,6°C acima da média histórica, enquanto o volume de chuva foi 27% menor que o padrão registrado para o bioma.
RIOS BAIXOS E COMUNIDADES EM ALERTA
A redução das chuvas e o aumento das temperaturas contribuem para a perda de água no solo e para o estresse da vegetação. Os efeitos também aparecem diretamente nos rios, que são fundamentais para o transporte, a pesca e o abastecimento de milhares de comunidades.
Na Amazônia, a seca não representa apenas um fenômeno climático. A redução do nível dos rios pode dificultar o deslocamento de moradores, aumentar as dificuldades para acesso a alimentos e água e comprometer atividades econômicas que dependem diretamente dos sistemas fluviais.
NOVO EL NIÑO AUMENTA A PREOCUPAÇÃO
Os dados de 2024 voltam a chamar atenção diante das previsões para 2026. Modelos climáticos indicam possibilidade de um novo episódio de El Niño de forte intensidade no último trimestre do ano.
Segundo pesquisadores do MapBiomas, há projeções de chuvas abaixo da média e temperaturas até 1°C acima do normal na Amazônia entre setembro e novembro de 2026.
O cenário coloca novamente em evidência a necessidade de preparação para os impactos de uma possível nova estiagem severa na região.
Os números do estudo mostram que, quando a seca se intensifica, o problema ultrapassa os limites ambientais e chega diretamente às comunidades que dependem dos rios e da disponibilidade de água para sobreviver.
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A Amazônia já sentiu os efeitos de uma estiagem severa. E os dados de 2024 servem agora como um alerta para o que pode acontecer novamente.