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Amorim critica classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA e alerta para risco à soberania do Brasil
Foto: Vinicius Schmidt

Em comissão na Câmara dos Deputados, embaixador Celso Amorim reforçou que medida adotada pelos EUA oferece riscos à soberania nacional

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira (12) que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos não traz ganhos concretos para o combate ao crime organizado no Brasil. A declaração foi feita durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

 

Segundo Amorim, os mecanismos de cooperação já existentes entre Brasil e Estados Unidos permitem troca de informações de inteligência, ações policiais, extradições, apreensão de bens, recuperação de ativos e combate à lavagem de dinheiro. Para o embaixador, a nova classificação não acrescentaria ferramentas efetivas a esse trabalho.

 

O representante do governo Lula também afirmou que a decisão americana chegou a prejudicar uma investigação da Polícia Federal. De acordo com Amorim, a falta de coordenação prévia teria antecipado uma operação que estava sendo preparada para cumprir um mandado de prisão, permitindo que o investigado não fosse localizado.

 

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Durante a audiência, Amorim ainda demonstrou preocupação com possíveis interpretações da classificação que poderiam ser usadas para justificar ações de força em outros países. Ele citou episódios posteriores aos ataques de 11 de Setembro e operações militares realizadas pelos Estados Unidos em diferentes contextos internacionais.

 

A classificação do PCC e do CV foi anunciada pelo Departamento de Estado americano em maio. O governo brasileiro é contrário à medida e afirma que o combate às organizações criminosas deve continuar por meio da cooperação internacional, sem abrir espaço para medidas que possam representar ameaça à soberania nacional.

 

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Amorim reforçou que o crime organizado representa uma ameaça grave e precisa ser combatido, mas defendeu que a resposta seja baseada em instrumentos de segurança pública e cooperação entre os países, e não em medidas que possam ampliar as tensões entre Brasil e Estados Unidos. 

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