O mercado clandestino de canetas emagrecedoras tem avançado rapidamente no Brasil e acendeu o alerta das autoridades de saúde e segurança pública. Dados da Polícia Federal mostram que as apreensões de medicamentos à base de GLP-1, utilizados para emagrecimento e controle do diabetes, registraram crescimento expressivo nos últimos anos, impulsionadas principalmente pelo contrabando vindo do Paraguai.
Um dos casos mais recentes ocorreu em abril deste ano, na rodovia PR-445, próximo ao município de Cambé, no Paraná. Após uma perseguição policial, agentes interceptaram um veículo que transportava uma carga avaliada em cerca de R$ 2 milhões. Entre celulares, notebooks e anabolizantes, foram encontradas aproximadamente 7 mil ampolas de tirzepatida, princípio ativo presente em medicamentos utilizados para perda de peso.
Segundo as investigações, o motorista admitiu que receberia R$ 5 mil para transportar a carga da região de fronteira com o Paraguai até o estado de São Paulo.
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Os números da Polícia Federal revelam a dimensão do crescimento desse mercado ilegal. Enquanto foram registradas apenas nove apreensões em 2024, o total saltou para 335 ocorrências em 2025. Somente nos primeiros meses de 2026, já foram contabilizados 758 registros, mais que o dobro do ano anterior.
O Paraná concentra a maior parte das ocorrências, respondendo por cerca de 37% das apreensões. Quando somado ao Mato Grosso do Sul, estados que fazem fronteira com o Paraguai, o percentual representa quase metade dos casos registrados no país. De acordo com a PF, a rota utilizada pelos contrabandistas é semelhante à empregada por organizações criminosas envolvidas no tráfico de drogas.
Além do transporte terrestre, os criminosos utilizam remessas postais internacionais, transporte aéreo e o chamado método das “formiguinhas”, em que pequenas quantidades são transportadas por diversas pessoas para dificultar a fiscalização.
Em resposta ao aumento do comércio ilegal, a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizaram operações em diversos estados para combater a entrada irregular, a produção clandestina e a venda de medicamentos falsificados ou sem autorização.
Paralelamente ao crescimento das apreensões, a Anvisa também registrou aumento nas notificações de efeitos adversos relacionados ao uso desses medicamentos. Foram 257 registros em 2023, 449 em 2024 e 1.122 em 2025. No entanto, a agência esclarece que não é possível afirmar quantos desses casos estão relacionados ao consumo de produtos contrabandeados.
Especialistas alertam que um dos maiores riscos está na utilização dos medicamentos sem acompanhamento médico. Segundo endocrinologistas, muitas pessoas adquirem os produtos por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens ou fornecedores clandestinos, utilizando as substâncias sem orientação adequada, o que pode trazer sérios riscos à saúde.
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A Anvisa reforça que medicamentos desse tipo exigem prescrição médica e acompanhamento profissional, já que possuem contraindicações e podem provocar efeitos colaterais importantes quando utilizados de forma inadequada.