A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,3 bilhões em janeiro, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria Comércio e Serviços (Mdic). O resultado é o segundo melhor para meses de janeiro da série histórica e foi impulsionado principalmente pela forte retração das importações.
No período, as exportações somaram US$ 25,2 bilhões, com leve queda anual de 1%, enquanto as importações atingiram US$ 20,8 bilhões, recuando expressivos 9,8%.
Para a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, o desempenho mostra um início de ano ainda positivo para o setor externo, mas já indica um processo de normalização dos fluxos comerciais.
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Segundo ela, as exportações tiveram comportamento desigual. A agropecuária avançou 2,1%, sustentada principalmente por embarques de soja, milho e carnes. Já a indústria extrativa recuou 3,4%, pressionada pela queda nas vendas de petróleo bruto e minério de ferro. A indústria de transformação também apresentou leve retração, sinalizando menor disseminação do crescimento exportador no começo de 2026.
Do lado das importações, a queda foi ampla, especialmente em bens industriais, combustíveis e máquinas. De acordo com Ariane, o movimento pode refletir um ajuste de estoques após o forte crescimento registrado no ano passado.
EXPORTAÇÕES CRESCEM PARA ÁSIA E ORIENTE MÉDIO
As vendas externas brasileiras aumentaram principalmente para:
– China (+17,4%, alta de US$ 1,0 bilhão)
– Índia (+14,4%)
– Panamá (+88,0%)
– Emirados Árabes Unidos (+110,1%)
– Iêmen (+330,2%)
– Irã (+21,4%)
Por outro lado, houve queda nas exportações para:
– Países Baixos
– Espanha
– Noruega
– Argentina
– Chile
– Estados Unidos
– Egito
A maior retração em valor ocorreu nas vendas para os Estados Unidos, com queda de US$ 0,8 bilhão. “A balança comercial segue confortável, mas cada vez mais dependente da dinâmica das commodities e do comportamento da demanda interna. Para 2026, projetamos um superávit em torno de US$ 66 bilhões”, avaliou Ariane Benedito.
PROJEÇÕES SEGUEM POSITIVAS
Em relatório, o Itaú Unibanco destacou que o resultado de janeiro foi sazonalmente forte e manteve o saldo externo em nível elevado. Segundo o banco, a melhora recente reflete exportações ainda robustas — especialmente da indústria extrativa — e desaceleração das importações, principalmente de bens intermediários.
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Para os próximos meses, o Itaú projeta um superávit comercial de US$ 74 bilhões em 2026, indicando que a balança seguirá sendo um dos principais amortecedores dos desequilíbrios externos do país, embora com menor margem de folga do que em anos recentes.