Acordo entre governos brasileiro e alemão abre caminho para a devolução de um dos fósseis mais importantes do país, retirado ilegalmente da chapada do Araripe e mantido por décadas em museu na Alemanha
Uma disputa envolvendo Brasil e Alemanha ganhou destaque após avançar o processo de devolução do fóssil do dinossauro Irritator challengeri, um dos achados paleontológicos mais importantes já encontrados no país.
O material, um crânio quase completo de cerca de 113 milhões de anos, foi retirado do território brasileiro na década de 1990 e acabou sendo adquirido por um museu alemão. Agora, após anos de negociações e pressão de cientistas, os dois países chegaram a um acordo para a repatriação do exemplar.
O fóssil foi encontrado na região da Chapada do Araripe, no Ceará, área considerada uma das mais ricas do mundo em registros fósseis do período Cretáceo. Pesquisadores afirmam que o espécime é essencial para entender a evolução dos espinossaurídeos, grupo de dinossauros carnívoros que habitava ambientes costeiros e semiaquáticos há milhões de anos.
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A devolução do material é vista como resultado de uma articulação diplomática e científica que envolve instituições brasileiras e alemãs. Segundo informações divulgadas, o processo inclui etapas burocráticas e logísticas para transporte seguro da peça, que exige cuidados especiais por sua fragilidade.
O nome Irritator foi dado pelos próprios pesquisadores devido à frustração causada por alterações feitas no fóssil por comerciantes antes de seu estudo científico. A espécie challengeri faz referência a um personagem da literatura clássica de aventuras.
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Especialistas comemoram o avanço como um marco na restituição de patrimônios científicos retirados de forma irregular do país e esperam que o caso abra caminho para novas devoluções de fósseis brasileiros mantidos no exterior.