Cansaço, dificuldade de concentração, prisão de ventre, insônia e até alterações nos olhos podem estar ligados a doenças da glândula
Apesar de pesar cerca de 20 gramas, a tireoide desempenha funções essenciais para o organismo. Localizada na parte frontal do pescoço, a glândula produz os hormônios T3 e T4, responsáveis por regular o metabolismo, a temperatura corporal, os batimentos cardíacos, o funcionamento do cérebro, do intestino e até a fertilidade. Quando há alterações na produção hormonal, os sintomas podem surgir de forma discreta e acabar confundidos com estresse, envelhecimento ou outros problemas de saúde.
Segundo o tireoidologista Helton Ramos, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), um dos desafios é justamente reconhecer os primeiros sinais da doença.
"No hipotireoidismo, os sintomas costumam ser inespecíficos e podem ocorrer em diversas situações clínicas, o que faz com que muitos pacientes demorem a procurar atendimento", explicou o especialista à Agência Einstein.
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Entre os sintomas mais comuns do hipotireoidismo, condição em que a glândula produz hormônios em quantidade insuficiente, estão:
Cansaço persistente, mesmo após descansar;
Sonolência excessiva;
Dificuldade de concentração e falhas de memória;
Sensação frequente de frio;
Pele ressecada, queda de cabelo e unhas frágeis;
Prisão de ventre;
Ganho de peso discreto.
Especialistas ressaltam que esses sinais, isoladamente, não confirmam doenças da tireoide, mas justificam uma avaliação médica quando persistem.
No caso do hipertireoidismo, quando há produção excessiva de hormônios, os sintomas costumam ser diferentes. Além da perda de peso, podem surgir irritabilidade, ansiedade, tremores nas mãos, palpitações, insônia e inquietação.
A endocrinologista Danielle Macellaro, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que em idosos o quadro pode ser mais difícil de identificar, manifestando-se principalmente por fadiga, fraqueza muscular e alterações cardíacas.

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Em alguns pacientes, especialmente nos casos de doença de Graves, também podem surgir alterações nos olhos, como vermelhidão, inchaço das pálpebras, sensibilidade à luz e projeção dos globos oculares (exoftalmia).
As doenças da tireoide são mais frequentes entre as mulheres e podem provocar alterações no ciclo menstrual, redução da libido e dificuldades para engravidar.
Nos homens, o desequilíbrio hormonal também pode comprometer a fertilidade, influenciando a qualidade dos espermatozoides, a função erétil e o desejo sexual. Estudos recentes apontam uma associação entre distúrbios da tireoide e maior ocorrência de disfunções sexuais masculinas.

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Os especialistas lembram que a maioria dos nódulos na tireoide não causa sintomas e costuma ser benigna. Apenas uma pequena parcela apresenta características de malignidade.
Quando há aumento da glândula, pode surgir uma saliência na parte da frente do pescoço, além de sintomas como rouquidão persistente, dificuldade para engolir e crescimento rápido do nódulo, situações que exigem investigação médica.
Segundo estimativas, entre 90% e 95% dos nódulos tireoidianos são benignos. Mesmo nos casos de câncer, os tumores mais frequentes apresentam altas taxas de cura quando diagnosticados precocemente.

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Especialistas alertam que não existem evidências científicas de que chás, suplementos ou fórmulas vendidas na internet sejam capazes de tratar doenças da tireoide.
O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue que avaliam os níveis de TSH, T3 e T4, além de exames complementares, como ultrassonografia e pesquisa de anticorpos quando há suspeita de doenças autoimunes.
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O tratamento varia conforme o tipo de alteração, podendo incluir medicamentos para regular os hormônios, uso de iodo radioativo ou cirurgia em situações específicas. O diagnóstico precoce é considerado fundamental para reduzir o risco de complicações e preservar a qualidade de vida.