Especialista explica por que o hemisfério norte está se aquecendo quase duas vezes mais rápido que o hemisfério sul, o que esperar do efeito combinado das mudanças climáticas e do El Niño e como, apesar de tudo, ele ainda encontra motivos para ter esperan
O planeta em que as gerações atuais nasceram já não apresenta as mesmas condições climáticas do passado. O alerta é do climatologista equatoriano Raúl Cordero, professor da Universidade de Groningen, na Holanda, que afirma que as mudanças provocadas pela emissão de gases de efeito estufa alteraram de forma significativa a atmosfera terrestre. Segundo ele, a concentração de dióxido de carbono está atualmente cerca de 50% acima do nível registrado há pouco mais de um século.
Para o especialista, o mundo vive uma espécie de “epidemia” de eventos climáticos extremos, com incêndios, ondas de calor e inundações se tornando mais intensos e frequentes. Cordero cita episódios recentes na Europa, nos Estados Unidos, na Austrália e no Chile como exemplos de um cenário que, segundo ele, tende a se agravar caso o aquecimento global continue avançando.
O climatologista também explica que o aquecimento não ocorre de maneira uniforme em todo o planeta. O Hemisfério Norte, que possui uma área continental maior, está se aquecendo mais rapidamente do que o Hemisfério Sul. O Ártico é uma das regiões mais afetadas, em razão do derretimento do gelo: com a redução da superfície branca que reflete a radiação solar, o oceano escuro fica mais exposto e absorve mais calor, acelerando o processo.
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Cordero afirma ainda que fatores como a gestão das florestas podem influenciar a ocorrência de grandes incêndios, mas não explicam sozinhos a dimensão dos eventos registrados nos últimos anos. Para ele, a principal questão está no aumento da temperatura global provocado pela alteração da composição da atmosfera. O especialista avalia que medidas de prevenção e combate são importantes, mas não impedem, por si só, a tendência de aumento das áreas queimadas em um planeta mais quente.
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Apesar do cenário preocupante, o climatologista mantém uma perspectiva otimista e defende que ainda é possível evitar perdas maiores. Na avaliação dele, o clima do passado não poderá ser recuperado em um futuro previsível, mas a redução das emissões de gases de efeito estufa pode limitar o agravamento das mudanças climáticas e reduzir os riscos de eventos extremos ainda mais severos.