Grupo de 31 parlamentares enviou carta a Marco Rubio e afirmou que medidas adotadas por Washington poderiam favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro
Um grupo de 31 parlamentares democratas do Congresso dos Estados Unidos acusou o governo do presidente Donald Trump de tentar interferir nas eleições presidenciais do Brasil, marcadas para 4 de outubro. A denúncia foi apresentada em uma carta enviada ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na qual os congressistas afirmam que medidas adotadas por Washington poderiam favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O documento foi assinado por 30 integrantes da Câmara dos Representantes e pelo senador Bernie Sanders. Segundo os parlamentares, as ações da administração Trump configurariam uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil e poderiam afetar a confiança dos eleitores no processo eleitoral e as relações diplomáticas entre os dois países.
Entre as medidas citadas estão as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Os congressistas afirmam que Trump relacionou as medidas ao processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.
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A carta também menciona novas tarifas anunciadas pelo governo norte-americano em julho, com base na seção 301 da legislação comercial dos EUA. Os parlamentares ainda criticaram a tentativa de envio de dois funcionários norte-americanos ao Brasil para questionar aspectos relacionados à integridade do sistema eleitoral brasileiro.
O governo brasileiro não autorizou a entrada dos dois funcionários. Posteriormente, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, em meio ao agravamento da crise diplomática entre os dois países.
Para os congressistas democratas, as iniciativas fazem parte de uma estratégia mais ampla de atuação do governo Trump em processos eleitorais na América Latina. A carta cita ainda episódios relacionados às eleições e disputas políticas na Argentina, em Honduras e na Colômbia.
Os parlamentares afirmaram que a atuação dos Estados Unidos pode enfraquecer instituições democráticas brasileiras, gerar desconfiança sobre o sistema eleitoral e provocar novos impactos na relação entre Washington e Brasília.
Apesar das acusações, o Departamento de Estado dos EUA rejeitou a ideia de que o governo Trump esteja tentando interferir na eleição brasileira. Em declaração divulgada anteriormente, a pasta classificou como infundadas as alegações de que Washington estaria buscando comprometer o processo eleitoral e afirmou respeitar a escolha dos brasileiros.
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Na carta, os congressistas questionaram se a administração Trump pretende respeitar o resultado das eleições brasileiras e pediram que Marco Rubio confirme o compromisso do governo norte-americano com o processo eleitoral. A resposta foi solicitada até 1º de outubro.