PDV pode atingir até 15 mil funcionários e faz parte de pacote para reverter crise financeira da estatal.
Os Correios vão reabrir, a partir da próxima semana, as inscrições para o Programa de Demissão Voluntária (PDV), uma das principais medidas do plano de reestruturação adotado para enfrentar a grave crise financeira da estatal. Segundo a empresa, a iniciativa pode gerar uma economia anual estimada em R$ 2,1 bilhões, com impacto financeiro pleno a partir de 2028.
De acordo com a direção dos Correios, o novo PDV tem potencial de adesão de até 15 mil empregados entre 2026 e 2027. A meta é promover o desligamento de cerca de 10 mil funcionários ainda em 2026 e outros 5 mil no ano seguinte. Atualmente, a estatal possui aproximadamente 85 mil empregados, e os gastos com pessoal representam cerca de 72% de seus custos totais.
Além do PDV, o plano de reestruturação prevê ajustes técnicos no plano de saúde dos funcionários até junho e a criação de um novo plano de cargos e salários, com implantação prevista para dezembro. Somadas, essas medidas podem gerar uma economia anual de até R$ 4,2 bilhões, segundo estimativas da própria empresa.
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Outra frente do plano envolve a venda de imóveis sem uso operacional. A expectativa é arrecadar até R$ 1,5 bilhão em receitas extraordinárias com a alienação desses ativos, reforçando o caixa da estatal em meio ao processo de reorganização financeira.
Este é o segundo Programa de Demissão Voluntária lançado pelos Correios em um intervalo de dois anos. O último ocorreu em 2024 e contou com a adesão de 3.784 empregados, que já foram desligados, conforme relatório contábil divulgado no último trimestre de 2025.
Em comunicado interno, a empresa informou que funcionários, ex-funcionários e dependentes poderão migrar para um plano de saúde com mensalidades reduzidas e cobertura regional ampliada. O PDV estará disponível para profissionais que ainda não tenham completado 75 anos, desde que cumpram os critérios exigidos.
Para aderir ao programa, é necessário ter no mínimo dez anos de efetivo exercício nos Correios e comprovar remuneração em pelo menos 36 dos últimos 60 meses. As inscrições seguem abertas até 31 de março, com desligamentos previstos para serem concluídos até o fim de maio.
No início do ano, os Correios já haviam adotado outra medida de contenção de despesas ao suspender o pagamento do chamado “vale-peru”, benefício de fim de ano no valor de R$ 2.500. O pagamento havia sido determinado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas foi suspenso após decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Como parte do esforço para garantir liquidez imediata, a estatal anunciou, no fim de dezembro, a captação de R$ 12 bilhões em crédito junto a cinco bancos, dois deles controlados pelo governo federal. Os recursos serão usados para quitar obrigações em atraso e sustentar o fluxo de caixa.
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Mesmo com essa operação, os Correios ainda precisam levantar cerca de R$ 8 bilhões ao longo deste ano, por meio de novos empréstimos ou de aporte direto do Tesouro Nacional. A reestruturação busca enfrentar um cenário crítico, marcado por déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões até setembro de 2025.