Conhecida principalmente pelo uso entre praticantes de atividades físicas, a creatina também tem despertado interesse de pesquisadores pelos possíveis efeitos sobre o cérebro. Estudos indicam que a substância pode contribuir para algumas funções cognitivas, especialmente a memória, além de seu papel no desempenho muscular.
A creatina é um composto produzido naturalmente pelo organismo e também obtido por meio de alimentos, como carnes e peixes. Sua principal função é auxiliar na produção de energia para as células, inclusive as do cérebro, que apresentam alta demanda energética.
Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2024 na revista científica Frontiers in Nutrition analisou 16 estudos clínicos, envolvendo 492 participantes. Os resultados apontaram efeitos positivos da suplementação sobre a memória, além de possíveis benefícios no tempo de atenção e na velocidade de processamento de informações.
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Apesar dos resultados, os pesquisadores não identificaram melhora significativa em todos os aspectos da cognição. As funções executivas e o desempenho cognitivo geral, por exemplo, não apresentaram mudanças estatisticamente significativas na análise.
A relação entre creatina e saúde cerebral também foi avaliada pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Em parecer publicado em 2024, a instituição concluiu que as evidências disponíveis não eram suficientes para estabelecer uma relação de causa e efeito entre o consumo do suplemento e a melhora da função cognitiva.
Outro levantamento, publicado em 2026 na revista Nutrition Reviews, analisou pesquisas sobre creatina e cognição em adultos mais velhos. Cinco dos seis estudos avaliados identificaram uma associação positiva com aspectos como memória e atenção, mas os autores ressaltaram que a quantidade de evidências ainda é limitada e que são necessários ensaios clínicos de maior qualidade.
Os possíveis efeitos podem variar conforme a idade, a alimentação, as condições de saúde e as características de cada pessoa. Pesquisas também investigam se indivíduos submetidos à privação de sono ou a situações de maior estresse energético podem apresentar respostas diferentes à suplementação.
Embora seja amplamente utilizada no contexto esportivo, a creatina não deve ser considerada um tratamento para problemas de memória ou doenças neurológicas. A suplementação precisa levar em conta as condições individuais e, quando necessário, a orientação de um profissional de saúde.
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Os resultados científicos indicam que a creatina pode ter efeitos além do desempenho físico, mas ainda não permitem afirmar que o suplemento melhora a memória de todas as pessoas. Novas pesquisas são necessárias para esclarecer a dimensão desses benefícios e identificar quem poderia se beneficiar da substância.