Parciais indicam liderança do partido no Senado e na Câmara dos Representantes; disputa pode alterar o equilíbrio político e dificultar a agenda do presidente Donald Trump.
Os democratas começaram na frente na apuração das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3). Os primeiros resultados apontam vantagem do partido tanto na disputa pelo Senado quanto pela Câmara dos Representantes, que terá todas as suas cadeiras renovadas.
Até o momento, as projeções indicam 46 cadeiras para os democratas e 39 para os republicanos no Senado. Na Câmara, a parcial registra 114 assentos para os democratas, contra 65 dos republicanos. Na disputa pelos governos estaduais, os democratas aparecem com 15 vitórias, enquanto os republicanos somam 11.
A votação começou a ter resultados divulgados após o fechamento das primeiras urnas, às 20h, no horário de Brasília. No entanto, a definição da composição do Congresso pode levar vários dias. Nas eleições de 2022 e 2024, por exemplo, o controle da Câmara dos Representantes só foi definido após oito dias de apuração.
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O encerramento da votação ocorre em horários diferentes, conforme o fuso de cada estado. Confira a programação no horário de Brasília:
20h desta terça-feira: Indiana e Kentucky;
21h: Geórgia, Carolina do Sul, Vermont, Virgínia e maior parte da Flórida;
21h30: Carolina do Norte, Ohio e West Virginia;
22h: Alabama, Connecticut, Delaware, Distrito de Columbia, Illinois, maior parte do Kansas e de Michigan, Maine, Maryland, Massachusetts, Mississippi, Missouri, New Jersey, maior parte de North Dakota e South Dakota, Oklahoma, Pennsylvania, Rhode Island e Tennessee;
22h30: Arkansas;
23h: Arizona, Colorado, Louisiana, Minnesota, Nebraska, New Mexico, New York, Wisconsin e Wyoming, além das partes restantes de North Dakota, South Dakota e Texas;
0h de quarta-feira: maior parte de Idaho, Montana, Nevada e Utah;
1h: California, Washington e Oregon;
2h: Havaí;
3h: Alasca.
ELEIÇÃO OCORRE EM MEIO AO DESGASTE DO GOVERNO TRUMP
A disputa acontece em um momento de desgaste da administração do presidente republicano Donald Trump. A queda na aprovação do governo é associada, entre outros fatores, ao prolongamento da guerra contra o Irã e ao aumento do custo de vida.
Nas eleições de meio de mandato de 2026, estão em jogo 35 das 100 cadeiras do Senado, todas as 435 vagas da Câmara dos Representantes e 36 governos estaduais. Também há propostas submetidas à votação popular em diferentes regiões do país, envolvendo assuntos como administração eleitoral e acesso ao aborto.
Os democratas tentam recuperar o controle das duas Casas do Congresso. Para conquistar a maioria no Senado, precisam alcançar pelo menos 51 cadeiras. Na Câmara, o partido necessita de, no mínimo, 218 representantes.
COMO FUNCIONA A DISPUTA PELO SENADO E PELA CÂMARA?
O Senado dos Estados Unidos é formado por 100 integrantes, sendo dois representantes de cada estado. Os mandatos duram seis anos e as cadeiras são divididas em três grupos, renovados alternadamente a cada dois anos.
Em 2026, estão previstas 33 eleições regulares e duas especiais, na Flórida e em Ohio. Por isso, apenas 35 vagas estão em disputa, enquanto as outras 65 permanecem ocupadas.
Os republicanos defendem 22 cadeiras, enquanto os democratas disputam a manutenção de 13. Antes da votação, os republicanos tinham 53 assentos, e os democratas, junto com independentes alinhados ao partido, somavam 47.
Já a Câmara dos Representantes tem 435 cadeiras distribuídas conforme a população dos estados. Cada deputado representa um distrito eleitoral e cumpre mandato de dois anos.
Na composição registrada em 26 de outubro de 2026, os republicanos tinham 218 representantes, os democratas somavam 214, havia um independente e duas vagas estavam abertas. Para assumir o controle da Casa, os democratas precisam conquistar pelo menos 218 assentos.
O QUE ESTÁ EM JOGO NAS ELEIÇÕES DE MEIO DE MANDATO?
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem a cada dois anos, entre as disputas presidenciais. Embora não envolvam a escolha de um novo presidente, funcionam como uma avaliação do governo em exercício.
O resultado pode mudar a relação de forças entre o Congresso e a Casa Branca. O Legislativo é responsável por elaborar e aprovar leis federais, além de fiscalizar as ações do Poder Executivo.
Caso os democratas conquistem uma ou as duas Casas, Trump poderá enfrentar mais obstáculos para aprovar projetos prioritários de seu governo. A oposição também terá maior capacidade de supervisionar a administração republicana.
TRUMP FAZ APELO FINAL POR VOTOS REPUBLICANOS
Na véspera da votação, Trump intensificou a mobilização dos eleitores para tentar preservar a maioria republicana no Congresso. Em um discurso de aproximadamente 50 minutos, realizado na segunda-feira (2), no espelho-d'água do Lincoln Memorial, em Washington, o presidente classificou o pleito como o mais importante da vida dos americanos e voltou a criticar os democratas.
O republicano afirmou que o Partido Democrata apresentou a lista de candidatos mais extremista e perigosa da história dos Estados Unidos. Também acusou os adversários de defenderem fronteiras abertas, aumento de impostos, restrições ao porte de armas e políticas que, segundo ele, elevariam os custos de energia e ampliariam a imigração.
Ao defender sua administração, Trump declarou que o país vive uma “era de ouro” e destacou os resultados econômicos de seu governo. O presidente ainda pediu que os apoiadores tratassem a votação como se ele próprio estivesse concorrendo.
O discurso ocorreu em meio à insatisfação de parte da população com o custo de vida. Até mesmo estrategistas republicanos demonstraram preocupação com a atenção dada pelo presidente a projetos de reformas e construções de monumentos e estruturas em Washington, enquanto muitos americanos enfrentam dificuldades econômicas.
O QUE UMA DERROTA PODE REPRESENTAR PARA TRUMP?
Uma eventual vitória democrata em pelo menos uma das Casas do Congresso pode alterar significativamente a relação entre o Legislativo e o governo federal.
Se recuperar a Câmara dos Representantes, a oposição passará a comandar comissões parlamentares e terá mais instrumentos para convocar integrantes do governo, solicitar documentos e abrir investigações sobre a administração republicana.
Entre os temas que podem entrar na mira dos parlamentares estão contratos, possíveis conflitos de interesse e medidas adotadas por meio de decretos presidenciais.
A possibilidade de um novo processo de impeachment também pode ganhar força entre os democratas. A Câmara tem competência para apresentar acusações contra o presidente, enquanto o Senado é responsável pelo julgamento político. Para uma condenação, porém, é necessário o apoio de dois terços dos senadores.
No Senado, uma mudança de maioria permitiria à oposição dificultar a confirmação de indicações presidenciais para cargos de alto escalão, embaixadas e tribunais federais, incluindo eventuais vagas na Suprema Corte.
Trump ainda poderia recorrer a ordens executivas para implementar parte de sua agenda, mas enfrentaria maior resistência institucional e dificuldades para transformar propostas em leis.
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Além dos efeitos imediatos sobre o governo, o resultado das eleições também deve influenciar as articulações políticas para a disputa presidencial de 2028, da qual Trump não poderá participar por já ter exercido dois mandatos.