Pesquisadores encontraram 14 dentes fossilizados de cinco espécies que viveram na região há milhões de anos
O que hoje é uma região desértica do Egito já foi coberto por um mar tropical há milhões de anos. Essa transformação ficou ainda mais evidente após pesquisadores da Universidade do Cairo encontrarem 14 dentes fossilizados de tubarões no Planalto de Abu-Tartur, localizado no sul do Deserto Ocidental.
Os fósseis pertencem a cinco espécies diferentes de tubarões que viveram durante o Cretáceo Superior, período geológico ocorrido entre aproximadamente 145 milhões e 66 milhões de anos atrás.
A descoberta foi publicada em 18 de agosto na revista científica Cretaceous Research. Com os novos registros, já são sete os exemplares de tubarões identificados na região, que passou a ser chamada pelos pesquisadores de “cemitério de tubarões”.
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Durante o período em que a região estava coberta pelo mar, o Planalto de Abu-Tartur apresentava condições favoráveis à formação de grandes depósitos de fosfato.
Os pesquisadores já haviam encontrado evidências de que o local abrigava um ecossistema marinho diversificado, com fósseis de peixes, tartarugas e répteis.
A partir dessas descobertas, a equipe decidiu investigar a área com mais detalhes. Os 14 dentes encontrados foram analisados e identificados a partir de suas características e formatos, comparados com registros científicos e exemplares preservados em museus.
Entre os fósseis, cinco foram associados a espécies distintas. Duas delas nunca haviam sido registradas no Egito, enquanto uma também representa um achado inédito para o continente africano.
REGIÃO TINHA CADEIA ALIMENTAR DIVERSIFICADA
Para os pesquisadores, os fósseis ajudam a reconstruir o ambiente que existia no local antes da formação do atual deserto.
A variedade de espécies encontradas indica que o antigo mar apresentava grande diversidade de vida e abundância de nutrientes, condições capazes de sustentar diferentes níveis da cadeia alimentar.
Pequenos peixes ocupavam as posições inferiores desse ecossistema, enquanto grandes predadores, como os tubarões, estavam entre os animais que ocupavam o topo da cadeia.
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A descoberta reforça a importância do Planalto de Abu-Tartur para o estudo da vida marinha que existiu na região antes de o território se transformar em uma das áreas desérticas do Egito.