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Dormir bem pode ajudar a proteger o cérebro e influenciar o avanço de doenças neurodegenerativas
Foto: daha3131053 para Pixabay

Durante a vigília, a atividade cognitiva tem um custo; é quando dormimos que o cérebro repara danos e elimina neurotoxinas

O sono tem um papel fundamental na manutenção da saúde cerebral e pode influenciar o desenvolvimento e a progressão de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. Durante o descanso, o organismo realiza processos importantes de recuperação celular, consolidação da memória e eliminação de resíduos metabólicos acumulados ao longo do período em que permanecemos acordados.

 

A relação entre sono e funcionamento cerebral foi um dos temas abordados no Congresso Brasileiro de Neurologia de 2026. Segundo o neurologista Raimundo Nonato Delgado Rodrigues, professor associado da Universidade de Brasília (UnB), preservar a qualidade do sono é uma forma de proteger a estrutura e o funcionamento do cérebro ao longo do envelhecimento.

 

Durante o dia, a atividade dos neurônios exige energia e produz resíduos que precisam ser eliminados. No sono profundo, o sistema glinfático, responsável por contribuir para a limpeza do tecido cerebral, favorece a circulação de líquidos que ajudam a remover essas substâncias. Esse processo tem despertado o interesse dos pesquisadores por sua possível relação com o acúmulo de proteínas associado a doenças neurodegenerativas.

 

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Quando o sono é interrompido repetidamente, como pode ocorrer em casos de insônia e apneia obstrutiva do sono, esses mecanismos podem ser prejudicados. Estudos investigam como alterações no descanso se relacionam ao acúmulo de proteínas como beta-amiloide e tau, associadas à doença de Alzheimer. Ainda assim, a relação é complexa, e problemas de sono podem tanto contribuir para alterações cerebrais quanto surgir como consequência de doenças que estão em desenvolvimento.

 

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A qualidade do descanso também influencia a memória, a atenção, o aprendizado e a regulação emocional. Dormir pouco ou ter um sono fragmentado pode comprometer essas funções durante o dia e afetar a qualidade de vida. Por isso, especialistas ressaltam a importância de manter horários regulares para dormir, criar um ambiente adequado ao descanso e investigar dificuldades persistentes para adormecer ou permanecer dormindo.

 

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Fotos: Reprodução

 

Outro aspecto importante é identificar condições que prejudicam o sono, especialmente a apneia, caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante a noite. Quando não tratada, ela pode provocar despertares frequentes e reduzir a qualidade do descanso. A avaliação médica ajuda a identificar a causa do problema e definir o tratamento apropriado.

 

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Embora dormir bem não garanta a prevenção de doenças neurodegenerativas, a manutenção de hábitos saudáveis de sono integra os cuidados com a saúde cerebral. Como essas doenças envolvem fatores genéticos, ambientais e relacionados ao envelhecimento, os pesquisadores continuam investigando como melhorar o descanso pode contribuir para preservar as funções cognitivas e favorecer um envelhecimento mais saudável. 

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