Especialista destaca os benefícios da estimulação cognitiva para o envelhecimento saudável; projeto desenvolvido por estudantes de Medicina em Manacapuru promove atividades voltadas à saúde e ao bem-estar de idosos.
Atividades como pintura, jogos de memória, associação de imagens e exercícios de orientação espacial podem contribuir para estimular as funções cognitivas e motoras de pessoas idosas. Quando realizadas regularmente e com acompanhamento adequado, essas práticas também favorecem a autonomia, a interação social e a qualidade de vida.
Segundo o professor David Fontes, da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, a combinação entre estimulação cognitiva e psicomotricidade permite trabalhar diferentes habilidades simultaneamente, incluindo atenção, memória, planejamento, coordenação motora e percepção espacial.
A importância desses estímulos aumenta diante de condições que afetam as capacidades cognitivas, como a Doença de Alzheimer, uma das principais causas de demência no mundo. A enfermidade provoca a deterioração progressiva da memória e de outras funções cerebrais, podendo comprometer a independência e o bem-estar dos pacientes.
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De acordo com o professor, o acompanhamento e a adoção de estratégias de cuidado são importantes para lidar com as alterações associadas ao envelhecimento e às doenças neurodegenerativas.
“Essas patologias manifestam-se por meio do declínio progressivo da memória, alterações nas funções executivas, desorientação espacial e prejuízo na linguagem, reduzindo drasticamente a autonomia funcional e a qualidade de vida do idoso e de seu núcleo familiar”, explica David.
ATIVIDADES ESTIMULAM MEMÓRIA E COORDENAÇÃO
A estimulação cognitiva pode ser realizada por meio de exercícios que desafiam o raciocínio, a concentração e a capacidade de recordar informações. Já as práticas psicomotoras envolvem movimentos que trabalham equilíbrio, lateralidade, coordenação e orientação espacial.
Entre as atividades utilizadas estão pinturas, jogos educativos e dinâmicas motoras, que podem ser adaptadas às necessidades e às capacidades de cada pessoa.
A pintura, por exemplo, estimula a criatividade, a coordenação motora fina e a evocação de lembranças. Os jogos, por sua vez, podem exercitar a atenção, o raciocínio lógico e a memória, além de proporcionar momentos de convivência.
“Essas atividades proporcionam o estímulo simultâneo de domínios como atenção sustentada, planejamento e coordenação motora fina”, destaca o professor.
Quando realizadas coletivamente, as práticas também favorecem a socialização, fortalecem vínculos afetivos e podem ajudar a reduzir o isolamento entre pessoas idosas.
PROJETO PROMOVE CUIDADOS COM IDOSOS EM MANACAPURU
Em Manacapuru, estudantes de Medicina da Afya desenvolveram o projeto “Relembrar é viver: quando a memória falha o cuidado permanece”, sob orientação do professor David Fontes. A iniciativa foi realizada com idosos atendidos na Casa Lar de Sara.
A ação teve caráter educativo e preventivo, com atividades sobre envelhecimento saudável, saúde da pessoa idosa, prevenção de doenças crônicas e cuidados relacionados à memória e às alterações cognitivas.
Os acadêmicos também trabalharam com cuidadores e profissionais da instituição, buscando ampliar o conhecimento sobre possíveis sinais de comprometimento cognitivo e incentivar práticas de assistência humanizada.
A programação incluiu rodas de conversa, materiais educativos e exercícios de orientação temporal e espacial. Os participantes também realizaram atividades com brinquedos, associação de figuras, repetição de palavras e exercícios voltados à coordenação motora.
ESTIMULAÇÃO CONTRIBUI PARA A INDEPENDÊNCIA
Além de exercitar habilidades cognitivas, as atividades psicomotoras podem auxiliar na manutenção de capacidades necessárias para as tarefas cotidianas. Exercícios adaptados que trabalham equilíbrio e coordenação também são importantes para a mobilidade e a prevenção de quedas.
O convívio durante as dinâmicas pode contribuir para o bem-estar emocional, incentivando a participação social e reduzindo situações de isolamento.
“Ao promover atividades em grupo, o projeto também fortalece vínculos afetivos e estimula a interação social”, ressalta David Fontes.
A estimulação cognitiva deve integrar uma rotina abrangente de cuidados com a pessoa idosa, que inclua acompanhamento profissional de saúde, atividade física adequada, alimentação equilibrada, sono de qualidade e controle de doenças crônicas.
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Embora essas práticas possam favorecer o bem-estar e a manutenção das habilidades funcionais, elas não impedem necessariamente o avanço de doenças neurodegenerativas. Por isso, alterações persistentes de memória ou dificuldades para realizar tarefas cotidianas devem ser avaliadas por um profissional de saúde.