*Por Antônio Zacarias - As pesquisas eleitorais não servem só para mostrar o que o povo está pensando. Muitas vezes, elas acabam influenciando a própria opinião das pessoas.
Por isso, quando sai uma pesquisa em um momento político importante, a gente precisa olhar para ela com muita atenção, principalmente se o resultado mexe com o cenário na mesma hora.
A pesquisa que o Instituto Projeta divulgou nesta sexta-feira mostra o senador Omar Aziz e o governador Roberto Cidade, o “Cocô de Ouro”, empatados na liderança para o Governo do Amazonas.
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Claro que um resultado desses chama a atenção. Mas o mais importante não é só olhar para os números que estão ali. É pensar no que a pesquisa não está mostrando.
Para começar, vale a pena perguntar: qual é o histórico do Instituto Projeta com pesquisas de eleição desse tamanho? O instituto pode até ser conhecido em outras áreas, mas, para uma pesquisa ser confiável, não basta apenas ter um registro oficial na Justiça Eleitoral. Ela precisa de um histórico de acertos e de um método que funcione de verdade.
Outro ponto é como as pessoas foram escolhidas para responder à pesquisa. O Amazonas é um estado gigante e com realidades muito diferentes. Se eles ouvirem mais gente de Manaus ou mais gente do interior, o resultado final muda completamente e pode dar uma imagem falsa da realidade.
O momento em que a pesquisa foi divulgada também diz muito. Roberto Cidade é o atual governador e precisa mostrar que tem força para ganhar a eleição.
Uma pesquisa que diz que ele está empatado com Omar Aziz ajuda a criar a fama de que ele é um candidato forte e com chances reais de vencer.
Na política, o que as pessoas acreditam que está acontecendo acaba virando realidade. E tem outra pergunta que não dá para esquecer: quem pagou por essa pesquisa? Saber quem financiou o estudo é fundamental para entender o motivo de ela ter sido feita e divulgada agora.
Além disso, pesquisa mostra apenas o momento do dia em que as pessoas responderam, não o futuro.
Quando uma pesquisa ganha muita força na mídia, ela pode mudar os rumos da eleição, atraindo novos apoios políticos e influenciando quem ainda está indeciso.
Nada disso significa que a pesquisa está errada ou que tem algo ilegal acontecendo. Mas tudo isso serve de alerta para a gente não acreditar em qualquer número de primeira.
A democracia precisa de pesquisas sérias, e pesquisas sérias aguentam ser questionadas. Por isso, antes de comemorar ou criticar os números, o mais importante é exigir transparência total sobre como a pesquisa foi feita, quem pagou por ela e qual é a fama do instituto.
No fim das contas, na política, os números podem até mostrar a realidade. Mas eles também têm o poder de inventar uma.
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* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.