Convocado a depor como testemunha na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o esquema de descontos ilegais contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o empresário Paulo Camisotti optou por permanecer em silêncio durante a audiência realizada nesta quinta-feira (26).
Apontado como dirigente de mais de 20 empresas investigadas na chamada Operação Sem Desconto, Camisotti é filho e sócio do empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro de 2025 sob acusação de participação no esquema que teria desviado bilhões de reais de beneficiários do INSS.
Amparado por habeas corpus e orientado pela defesa, Paulo utilizou o direito constitucional de não responder a perguntas que pudessem incriminá-lo. Durante o depoimento, limitou-se a confirmar que é presidente da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Saúde e Benefícios (ABCS) e filho de Maurício Camisotti.
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O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que as empresas da família teriam movimentado mais de R$ 800 milhões, sendo cerca de R$ 350 milhões destinados diretamente aos investigados. Segundo o parlamentar, parte dos recursos teria sido obtida por meio de descontos associativos aplicados a aposentados e pensionistas por serviços que não teriam sido efetivamente prestados.
Gaspar também citou a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), que, segundo ele, teria recebido aproximadamente R$ 500 milhões em descontos. O relator apontou ainda supostos vínculos familiares entre integrantes da diretoria da entidade e membros da família Camisotti.
Durante a sessão, o parlamentar fez duras críticas ao empresário e afirmou que o esquema teria prejudicado milhões de segurados do INSS. A defesa de Paulo Camisotti não se manifestou sobre o teor das acusações durante a audiência.
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A CPMI do INSS foi instaurada para apurar possíveis irregularidades em descontos aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas. A Operação Sem Desconto segue em andamento, e os investigados ainda terão seus casos analisados pela Justiça. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre as acusações.