Pagamentos foram realizados pela banca de Edvaldo Nilo, que teve sua recondução ao Conselho Nacional do Ministério Público aprovada pelo Senado em novembro de 2025.
O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) recebeu R$ 4 milhões de uma banca ligada ao advogado Edvaldo Nilo de Almeida, semanas antes de o Senado Federal analisar sua recondução ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Os pagamentos ocorreram em 2025, período em que Nilo buscava permanecer no cargo de conselheiro do órgão.
De acordo com documentos obtidos pela imprensa, os valores foram registrados em duas notas fiscais de R$ 2 milhões cada, emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro. A primeira foi emitida em 6 de agosto de 2025, enquanto a segunda foi registrada em outubro do mesmo ano. Ambas apresentavam a descrição de serviços de assessoria jurídica, sem detalhamento dos trabalhos realizados.
Edvaldo Nilo integra o CNMP desde 2023, ocupando uma das vagas destinadas à Câmara dos Deputados. Anteriormente, o advogado também participou da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, entre 2022 e 2025, após indicação do então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador.
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A recondução de Nilo ao conselho foi analisada pelo Senado em 12 de novembro de 2025. Flávio Bolsonaro participou das votações realizadas na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e no plenário. Como a votação no plenário ocorreu de forma secreta, não é possível identificar individualmente o posicionamento dos parlamentares nessa etapa.
Procurado pela imprensa, Edvaldo Nilo afirmou que os pagamentos correspondem a serviços advocatícios prestados regularmente em parceria entre os dois escritórios. Segundo ele, o contrato foi firmado em abril de 2025 e envolveu exclusivamente clientes privados, sem utilização de recursos públicos ou participação de órgãos governamentais.
O advogado também informou que a relação contratual foi encerrada em outubro de 2025, após a conclusão dos serviços. Entretanto, não foram divulgados detalhes sobre os clientes atendidos ou os processos relacionados aos valores recebidos pelo escritório de Flávio Bolsonaro.
Um levantamento divulgado pelo UOL apontou que a banca do senador emitiu aproximadamente R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Parte dos documentos apresenta descrições genéricas de assessoria jurídica. A legislação permite que parlamentares exerçam atividades profissionais paralelas ao mandato, desde que respeitem as restrições legais, incluindo limitações à atuação em causas envolvendo órgãos públicos.
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As informações sobre os pagamentos ganharam repercussão durante a campanha presidencial de 2026, na qual Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar dos questionamentos sobre a relação financeira entre os escritórios e a proximidade com a votação no Senado, os documentos apresentados não comprovam, por si só, a existência de irregularidades ou favorecimento político.