Pesquisa com quase 360 mil homens associa reposição hormonal sem diagnóstico de deficiência a maior incidência de infarto, AVC e morte.
O uso de testosterona sem indicação médica pode elevar significativamente o risco de problemas cardiovasculares graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, parada cardíaca e até morte, segundo um dos maiores estudos já realizados sobre o tema.
A pesquisa, publicada na revista científica eBioMedicine, acompanhou quase 360 mil homens, entre 30 e 75 anos, por um período de até 10 anos. O objetivo foi comparar pacientes que utilizaram a terapia hormonal com diagnóstico confirmado de hipogonadismo condição caracterizada pela produção insuficiente de testosterona e aqueles que iniciaram o tratamento sem apresentar deficiência comprovada do hormônio.
Os resultados mostraram que homens que fizeram reposição hormonal sem indicação clínica apresentaram um risco significativamente maior de desenvolver complicações cardiovasculares em comparação com aqueles que utilizavam a testosterona para tratar um problema de saúde diagnosticado.
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TESTOSTERONA É ESSENCIAL, MAS EXIGE INDICAÇÃO MÉDICA
A testosterona desempenha um papel importante na saúde masculina, influenciando a libido, a fertilidade, a massa muscular, a densidade óssea, o metabolismo e até funções cognitivas.
Quando seus níveis estão abaixo do normal, podem surgir sintomas como fadiga constante, diminuição do desejo sexual, disfunção erétil, alterações de humor, perda de massa muscular, redução da força física e enfraquecimento dos ossos.
Nesses casos, a reposição hormonal pode ser indicada, desde que o diagnóstico seja confirmado por avaliação médica e exames laboratoriais.
CRESCE USO SEM NECESSIDADE CLÍNICA
Nos últimos anos, especialistas têm observado um aumento no uso da testosterona por homens que não apresentam deficiência hormonal, principalmente com objetivos estéticos, como ganho de massa muscular, melhora do desempenho físico e retardamento do envelhecimento.
Segundo os pesquisadores, essa prática tem se tornado cada vez mais comum, apesar da ausência de evidências que comprovem sua segurança para pessoas sem hipogonadismo.
RESULTADOS PREOCUPANTES
Os cientistas analisaram os registros médicos de 358.957 pacientes atendidos em 123 instituições de saúde. Entre eles, 35,4% não possuíam diagnóstico que justificasse a terapia hormonal.
Após comparar pacientes com características semelhantes, como idade, peso, pressão arterial e doenças pré-existentes, os pesquisadores observaram que aqueles que utilizaram testosterona sem necessidade médica apresentaram:
51% mais risco de sofrer eventos cardiovasculares graves;
90% maior risco de morte por qualquer causa;
aumento na ocorrência de AVC isquêmico, insuficiência cardíaca e parada cardíaca.
Os autores destacam que, embora o estudo seja observacional e não comprove uma relação direta de causa e efeito, o grande número de participantes e o longo período de acompanhamento fortalecem as evidências sobre os riscos associados ao uso inadequado da testosterona.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados não colocam em dúvida a reposição hormonal para pacientes com hipogonadismo confirmado, tratamento que continua sendo recomendado quando há indicação clínica.
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A principal conclusão do estudo é que a terapia com testosterona deve ser iniciada apenas após avaliação médica, confirmação laboratorial da deficiência hormonal e acompanhamento contínuo, reduzindo riscos e garantindo que o tratamento seja realizado de forma segura e adequada.