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Ex-presidente do Paraguai presta depoimento após impeachment e prisão em meio à crise do Ueno Bank
Foto: Reprodução

Assunção – O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, prestou depoimento ao Ministério Público neste sábado (7), um dia depois de sofrer impeachment e ser colocado sob custódia das autoridades. O político é investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas à crise financeira do banco digital Ueno Bank, que provocou uma grave turbulência política no país.

 

Peña deixou a unidade militar onde passou a noite e chegou à sede da Procuradoria-Geral pouco depois das 11h, no horário de Brasília. Ele havia sido transferido de sua residência para a instalação militar após protestos de manifestantes que exigiam sua transferência para uma prisão comum.

 

Após o depoimento, as autoridades deverão avaliar as próximas medidas relacionadas à situação do ex-presidente. O Ministério Público também analisa as provas reunidas para definir quais acusações serão formalizadas contra ele.

 

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Entre os possíveis crimes investigados estão lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. Segundo o procurador Christian Benítez, os investigadores precisam analisar os elementos reunidos antes de apresentar uma acusação definitiva.

 

Peña nega ter cometido irregularidades. O ex-presidente é apontado como antigo investidor do grupo controlador do Ueno Bank e, em 2023, nomeou Carlos Carvallo Spalding, então ligado à instituição financeira, para comandar o Banco Central do Paraguai.

 

Carvallo também foi convocado para prestar depoimento neste sábado e permanece detido, sendo investigado no mesmo caso.

 

A crise que atingiu o Ueno Bank começou após o Banco Central do Paraguai identificar problemas financeiros na instituição e iniciar um processo de intervenção. A medida deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos e provocou uma onda de protestos no país.

 

O banco também administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores vinculados ao Instituto de Previdência Social. As investigações levantaram suspeitas sobre operações de crédito envolvendo empresas relacionadas ao grupo controlador e possíveis conflitos de interesse.

 

A crise se agravou na quinta-feira (5), quando Peña anunciou sua renúncia. Mesmo assim, o processo de impeachment continuou e, na sexta-feira (6), o Senado aprovou sua destituição por 44 votos favoráveis.

 

Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai e prometeu adotar medidas para ressarcir os clientes prejudicados pela crise financeira.

 

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O caso segue sob investigação do Ministério Público paraguaio. 

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