Relatos apontam que senador estava muito agitado durante operação que envolveu autoridades argentinas para facilitar sua entrada no país vizinho
O senador Flávio Bolsonaro (PL) teria deixado o Brasil em meio a momentos de tensão e nervosismo. Segundo informações publicadas pelo jornal argentino Clarín neste domingo (01), autoridades que acompanharam a operação relataram que o parlamentar estava “em pânico” e “muito agitado” durante o trajeto que o levou até Miami , nos Estados Unidos.
Flávio, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026, teria demonstrado preocupação diante das dificuldades enfrentadas para deixar o território brasileiro.
A viagem também teria envolvido uma articulação de autoridades argentinas, com participação direta do presidente Javier Milei.
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SENADOR ENFRENTOU DIFICULDADES PARA DEIXAR O BRASIL
De acordo com o Clarín, pessoas envolvidas na operação descreveram o estado emocional do senador como bastante alterado.“Ele estava muito, muito agitado”, afirmaram as fontes ouvidas pelo jornal.
Ainda segundo os relatos, Flávio queria apenas conseguir embarcar na aeronave e deixar o país acompanhado da esposa e dos filhos.
A saída teria enfrentado obstáculos. O proprietário de uma das aeronaves inicialmente contratadas se recusou a transportar o senador até a fronteira. Também houve resistência entre os responsáveis pelo deslocamento terrestre até a província argentina de Misiones, que faz divisa com o Sul do Brasil.
A situação teria ficado ainda mais delicada depois que o plano de viagem vazou.
MILEI TERIA PARTICIPADO DA ARTICULAÇÃO
A reportagem do Clarín também detalha a participação do presidente argentino Javier Milei na entrada de Flávio Bolsonaro no país.
Segundo o jornal, Milei conversou diretamente com seu assessor Santiago Caputo, que teria se oferecido para ir pessoalmente à região da fronteira e acompanhar a operação.
O chefe do serviço de inteligência argentino (SIDE), Cristian Auguadra, também teria participado da articulação. Na noite anterior, ele teria comunicado às autoridades da província de Misiones sobre uma operação da agência no aeroporto de Foz do Iguaçu, no Paraná, sem mencionar que Flávio Bolsonaro estaria envolvido.
Auguadra também teria solicitado autorização para posicionar na pista uma aeronave de matrícula LV-JZQ, utilizada para despistar a saída do senador.
Flávio, no entanto, teria embarcado em outro jato, um Gulfstream de matrícula LV-JQW, operado pela empresa Bayres Fly.
MINISTRA DA SEGURANÇA ARGENTINA TERIA DESAPROVADO OPERAÇÃO
Outro detalhe revelado pelo jornal envolve a reação da ministra da Segurança da Argentina, Alejandra Monteoliva. Ela teria tomado conhecimento da operação pela televisão e demonstrado insatisfação com a maneira como a equipe de Caputo conduziu a articulação.
“Esses caras não podem trabalhar assim”, teria comentado a ministra, em referência ao assessor presidencial e seus colaboradores.
Monteoliva procurou Diego Santilli, então chefe da Casa Civil argentina, que também não teria sido informado previamente sobre a movimentação. Os dois recorreram a Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência.
Conforme o Clarín, os três participaram da elaboração de um comunicado da área de Imigração para explicar a entrada de Flávio e de seus familiares na Argentina.
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O documento informou que a família havia ingressado no território argentino pela Ponte Internacional Tancredo Neves, sem qualquer impedimento legal, e que, posteriormente, seguiu para o Equador em um voo particular.
Fonte:Ig