Nessa segunda-feira (19/10), o governo antecipou o pagamento dos benefícios reajustados para antes do segundo turno
O governo federal não apresentou explicações para a demora de mais de três anos na atualização dos valores do Bolsa Família nem para a decisão de aplicar o reajuste apenas em outubro de 2026, mês das eleições. A correção de 15,04% foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em setembro, elevando o benefício mínimo por família de R$ 600 para R$ 691.
Documentos que embasaram a medida indicam que o processo foi conduzido de forma excepcional e sob sigilo. Os pareceres técnicos e jurídicos, além da exposição de motivos encaminhada à Presidência da República, foram assinados em 16 de setembro, um dia antes da publicação do decreto que oficializou o aumento.
A documentação não esclarece por que a atualização dos valores demorou tanto para ser realizada. O reajuste foi calculado com base na inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A correção busca recuperar parte do poder de compra perdido pelas famílias durante o período sem atualização.
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O governo afirma que a medida foi possível após ajustes nas despesas previstas para a Previdência Social e ações de combate a fraudes em programas públicos. A equipe econômica estimou um custo adicional de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de aproximadamente R$ 22,7 bilhões em 2027. A administração federal também justificou a antecipação dos pagamentos de outubro como uma forma de reduzir os impactos de eventos climáticos sobre famílias vulneráveis.
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A coincidência entre o reajuste e o calendário eleitoral levantou questionamentos sobre o momento escolhido para anunciar a medida. O governo, por sua vez, sustenta que a atualização recompõe a inflação e preserva o poder de compra dos beneficiários. Com o novo valor, o benefício médio estimado passou a R$ 777, enquanto os pagamentos reajustados começaram a ser liberados em outubro.