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Guerra no Irã dispara crise no Brasil e combustíveis viram campo de batalha com risco de colapso
Foto: Marcelo Theobald/Agência O Globo

Abastecimento de diesel: com petróleo chegando a US$ 100 o barril e restrições nas importações por causa do fechamento do Estreito de Ormuz, preço tem subido nas bombas

O setor de distribuição de combustíveis no Brasil enfrenta turbulência sem precedentes, impulsionada pela guerra no Irã e seus impactos no mercado internacional de petróleo. As principais empresas, como Raízen, Grupo Ultra e Vibra Energia, respondem por metade do mercado e lidam com recuperação extrajudicial, mudanças societárias e barreiras à expansão. A volatilidade dos preços e a limitação da oferta de diesel agravam a situação e afugentam investidores.

 

A Raízen enfrenta dívidas de R$ 65,1 bilhões e colocou ativos à venda enquanto busca novos sócios. Investimentos em usinas de etanol de segunda geração não tiveram retorno esperado, e a tentativa de aporte da Shell não se concretizou. O BNDES se envolveu para tentar mediar soluções, mas o cenário permanece incerto. Crimes fiscais, adulteração e a atuação de organizações criminosas como o PCC aumentam a tensão no setor.

 

O Grupo Ultra também sofre restrições. Tentativas de expandir para o Nordeste via aquisição da Ale Combustíveis e de comprar a Liquigás foram barradas pelo Cade. A companhia agora aposta na volta da marca Texaco em parceria com a Chevron, mas investidores esperam resultados antes de aportar recursos. Enquanto isso, a gestão precisa lidar com custos elevados e concorrência limitada.

 

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A Vibra Energia, que comprou a BR Distribuidora, passa por reorganizações e pressão de investidores, como José Odvar Lopes, dono da Inpasa, que já detém mais de 10% da empresa. O contrato de não competição da Petrobras impede a estatal de atuar no setor até 2029, enquanto as cotas restritas de diesel limitam o crescimento das distribuidoras. O mercado externo e a dependência de importações deixam o setor ainda mais vulnerável.

 

A fiscalização ganhou reforço com a Operação Vem Diesel, da Polícia Federal, que investiga preços abusivos e crimes tributários em 11 estados e no Distrito Federal. Metade dos 45 mil postos do país está concentrada nas mãos de Vibra, Ipiranga e Shell. Especialistas alertam que a regulação e a tributação insuficientes prejudicam a concorrência e o equilíbrio do setor, tornando o ambiente de negócios instável e complexo.

 

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O consumidor sente diretamente os efeitos da crise, com preços altos e oferta limitada. A pressão do governo sobre fretes e a fiscalização de preços abre espaço para sonegação fiscal e aumenta a desorganização do mercado. Enquanto isso, a dificuldade de atrair novos investidores adia parcerias e a venda de ativos essenciais. O setor de combustíveis brasileiro segue atravessando uma tempestade perfeita, sem sinais claros de trégua.

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