Recomendações buscam proteger comunidades ribeirinhas, garantir acesso à água potável e preservar a biodiversidade diante do avanço da seca na região amazônica.
O Instituto Mamirauá apresentou 41 recomendações para reduzir os impactos das estiagens severas sobre comunidades rurais e a biodiversidade do Amazonas. O documento foi encaminhado a 70 autoridades e órgãos estaduais e federais, com o objetivo de contribuir para a elaboração de políticas públicas de prevenção e adaptação às mudanças climáticas.
A iniciativa ocorre diante do avanço da estiagem em 2026, agravada pelo fenômeno El Niño, que está associado à redução das chuvas em determinadas áreas da Região Norte. A preocupação dos pesquisadores está relacionada à possibilidade de novos eventos extremos, semelhantes aos registrados em 2023 e 2024, quando a seca comprometeu o transporte fluvial, o abastecimento de água e atividades econômicas de diversas comunidades amazônicas.
Durante os períodos anteriores de seca extrema, moradores de localidades isoladas enfrentaram dificuldades para acessar serviços essenciais, como saúde e educação. A redução do nível dos rios também prejudicou a pesca e a agricultura, principais fontes de renda de muitas famílias. A fauna regional sofreu consequências significativas, incluindo a morte de botos nos lagos de Tefé e Coari.
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Entre as propostas elaboradas pelo instituto estão medidas para assegurar o fornecimento de água potável, ampliar o atendimento de saúde, fortalecer o monitoramento dos rios e prevenir incêndios florestais. O documento também recomenda ações para proteger atividades produtivas e garantir a segurança alimentar das populações afetadas.
As recomendações incluem ainda mecanismos de apoio financeiro e produtivo para agricultores e pescadores prejudicados pela estiagem. Também são sugeridas adaptações nos calendários de produção e nas estratégias de transporte e comercialização de produtos provenientes do manejo sustentável de espécies como o pirarucu e o jacaré.
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De acordo com o pesquisador Ayan Fleischmann, do Instituto Mamirauá, as experiências das secas anteriores demonstram a necessidade de antecipar medidas preventivas. Ele destaca que o conhecimento científico, aliado às informações fornecidas pelas comunidades, pode contribuir para identificar áreas vulneráveis e desenvolver soluções antes que os rios atinjam níveis críticos.

Fotos: Divulgação
A diretora de Manejo e Desenvolvimento Social do instituto, Dávila Corrêa, ressalta que os impactos da estiagem ultrapassam as questões ambientais e atingem diretamente a economia das famílias ribeirinhas. Segundo ela, a redução das atividades de pesca e agricultura pode comprometer a renda e a alimentação das comunidades, tornando necessário considerar esses fatores no planejamento das ações de adaptação climática.
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Sediado em Tefé, no Médio Solimões, o Instituto Mamirauá é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A instituição defende a participação das comunidades tradicionais na elaboração das estratégias de enfrentamento à seca, combinando conhecimentos locais e pesquisas científicas para fortalecer a proteção ambiental e reduzir os impactos de futuros eventos climáticos extremos.