Teerã afirma que responderá com mais força a novas ações militares e estabelece condições para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo mundial
O governo do Irã afirmou neste domingo (4) que não existe uma solução militar capaz de encerrar a guerra no Oriente Médio e defendeu a retomada de negociações com os Estados Unidos. A declaração ocorre em meio ao impasse diplomático entre os dois países e à tensão em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte de petróleo e gás produzidos no Golfo.
Durante uma reunião com embaixadores estrangeiros, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã está disposto a se defender caso novas ações militares sejam realizadas contra o país.
“Se nossos inimigos voltarem a optar pelo caminho da confrontação militar, nossa resposta será mais contundente do que antes e nos defenderemos com ainda mais firmeza”, declarou.
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Na sequência, o chanceler reforçou que, na avaliação do governo iraniano, nem operações militares nem novas sanções seriam capazes de solucionar o conflito.
“Não há solução militar, nem tampouco qualquer solução baseada em novas sanções”, afirmou Araghchi. Segundo ele, apenas negociações consideradas justas e equilibradas poderiam levar ao fim da guerra.
O principal obstáculo para uma possível retomada das negociações envolve o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, passagem estratégica utilizada para o transporte internacional de petróleo e gás. A região se tornou um dos principais pontos de tensão desde o agravamento do conflito.
Estados Unidos e Irã haviam chegado a um memorando de entendimento em junho, mas os ataques iranianos contra embarcações na região provocaram a retomada das operações militares americanas.
Apesar da escalada, representantes dos dois países mantiveram conversas na semana passada, realizadas à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas. As negociações, no entanto, ainda não resultaram em um acordo capaz de destravar a situação.
Teerã afirma ter apresentado sete condições para permitir a reabertura do Estreito de Ormuz. Entre as exigências estão um cessar-fogo no Oriente Médio, o desbloqueio de ativos iranianos mantidos no exterior, o fim das sanções impostas ao setor petrolífero do país e o encerramento do bloqueio naval americano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a proposta apresentada pelo governo iraniano, mas deixou aberta a possibilidade de novas negociações, ao mesmo tempo em que não descartou a retomada das operações militares.
Segundo a agência estatal iraniana Irna, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou neste domingo que Washington apresentou sua avaliação sobre as condições propostas por Teerã. O governo iraniano, segundo ele, ainda analisa a posição americana.
O porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, também declarou que a última contraproposta apresentada pelos Estados Unidos segue a mesma linha de propostas anteriores relacionadas às questões nucleares iranianas.
Enquanto as negociações permanecem sem avanço, os efeitos da guerra continuam sendo sentidos dentro do Irã. O conflito provocou longas filas nos postos de abastecimento e aumentou a pressão sobre o governo diante dos impactos econômicos e logísticos da crise.
Em meio ao cenário de instabilidade, a Presidência iraniana anunciou neste domingo a saída do ministro do Petróleo, Mohsen Paknejad. Ele será substituído interinamente por Hamid Bovard, atual diretor-executivo da Companhia Nacional Iraniana de Petróleo.
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A troca no comando da pasta ocorre em um momento de forte pressão sobre o setor energético iraniano, diretamente afetado pelas restrições ao comércio, pelas sanções internacionais e pela disputa em torno do Estreito de Ormuz.