Banco revisou para cima as estimativas de inflação e dólar, além de projetar desemprego maior e manutenção da Selic em 13,75% ao longo de 2027.
O Itaú Unibanco revisou suas projeções para a economia brasileira e passou a prever um crescimento mais lento da atividade econômica nos próximos anos. Em relatório divulgado em outubro de 2026, a instituição reduziu a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 de 1,2% para 0,5%, menos da metade da previsão anterior.
Para 2026, a projeção de crescimento também foi ajustada para baixo, passando de 1,7% para 1,6%. No documento Revisão de Cenário – Brasil: menos crescimento, mais inflação, o banco aponta que as condições monetárias mais restritivas, a pressão inflacionária e o elevado endividamento de famílias e empresas devem limitar o desempenho da economia.
O Itaú manteve a estimativa de desemprego em 5,7% para 2026, mas elevou a previsão para o ano seguinte. A taxa projetada para 2027 passou de 6,2% para 6,5%.
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As expectativas para o dólar também foram revisadas. A instituição agora prevê que a moeda norte-americana encerre 2026 cotada a R$ 5,40, ante R$ 5,30 na estimativa anterior. Para 2027, a projeção subiu de R$ 5,50 para R$ 5,60.
Segundo o relatório, a revisão cambial reflete o aumento do prêmio de risco doméstico, associado às incertezas sobre as contas públicas e à necessidade de ajustes fiscais nos próximos anos.
INFLAÇÃO DEVE GANHAR FORÇA EM 2027
O banco também elevou as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil. Para 2026, a estimativa passou de 5,1% para 5,2%, influenciada por pressões recentes nos preços dos alimentos e dos serviços.
Para 2027, a revisão foi mais expressiva: a previsão de inflação subiu de 4,6% para 6,1%.
Entre os fatores apontados estão mudanças regulatórias e tributárias que podem afetar os preços ao consumidor. No setor de combustíveis, o relatório considera o retorno da cobrança de PIS/Cofins sobre a gasolina, o fim da subvenção ao diesel no segundo semestre e possíveis reajustes do ICMS.
O Itaú também destaca os possíveis impactos da Reforma Tributária sobre os preços e os efeitos de mudanças na jornada de trabalho sobre os custos com mão de obra.
DÍVIDA PÚBLICA PREOCUPA O MERCADO
As incertezas sobre a trajetória da dívida pública brasileira continuam entre os principais riscos para a economia. De acordo com o relatório, será necessário um ajuste fiscal relevante, com atenção especial ao controle das despesas do governo.
O banco manteve as projeções para o resultado primário em déficit equivalente a 0,5% do PIB em 2026 e a 0,6% em 2027.
Outro ponto de atenção envolve a continuidade das políticas de subsídios e desonerações dos combustíveis, que dependem, entre outros fatores, das condições do mercado internacional.
Na avaliação da instituição, a criação de uma estratégia fiscal confiável é fundamental para fortalecer a confiança dos agentes econômicos e permitir que a política monetária produza os efeitos esperados.
ITAÚ PREVÊ INTERRUPÇÃO DOS CORTES DA SELIC
Diante do aumento das pressões inflacionárias, o Itaú espera que o Banco Central interrompa o ciclo de redução da taxa básica de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) prevista para os dias 3 e 4 de novembro.
A projeção do banco é que a Selic permaneça em 13,75% ao longo de 2027. A estimativa anterior considerava uma redução gradual dos juros, com a taxa chegando a 12,5%.
O relatório aponta que o cenário econômico se tornou mais desafiador desde a última reunião do Copom, principalmente devido à pressão dos preços no mercado interno, ao risco de piora das expectativas de inflação e às incertezas no cenário internacional.
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Com a combinação de crescimento mais fraco, inflação elevada e juros altos, o Itaú avalia que a economia brasileira poderá enfrentar condições mais difíceis nos próximos anos.