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Justiça protege Casas Bahia de cobranças enquanto varejista tenta reorganizar dívidas
Foto: Divulgação

Empresa conseguiu suspensão de execuções por 180 dias após relatar bloqueios de recursos e pressão crescente de credores

A Justiça de São Paulo antecipou os efeitos do pedido de recuperação judicial das Casas Bahia e concedeu à empresa proteção contra cobranças e execuções de credores pelo período de 180 dias. A varejista busca reorganizar um passivo de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.

 

Ao solicitar a medida, a companhia afirmou que passou a enfrentar uma espécie de “corrida de credores” contra seu patrimônio após a divulgação do pedido de recuperação judicial. Segundo a empresa, cerca de R$ 9 milhões foram bloqueados em poucos dias, situação que poderia comprometer sua capacidade financeira e colocar em risco a continuidade das operações.

 

A decisão foi tomada pela juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O período de proteção começou a contar a partir de 19 de agosto, data em que a magistrada determinou a suspensão das medidas contra a companhia.

 

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Além da proteção contra os credores, a Justiça determinou que o BTG Pactual restabeleça, em até 24 horas, o acesso integral das Casas Bahia às suas contas correntes.

 

As empresas responsáveis pelas maquininhas de pagamento Cielo, Getnet e Redecard também receberam determinações. Elas deverão apresentar informações contábeis sobre valores da varejista que tenham sido retidos, liberar os recursos e evitar a criação de reservas extraordinárias motivadas exclusivamente pelo pedido de recuperação judicial.

 

FORNECEDORES AUMENTAM AS EXIGÊNCIAS

 

Desde o início do processo de recuperação, o Grupo Casas Bahia passou a negociar com diferentes grupos de credores. A prioridade da empresa é preservar os estoques e manter o funcionamento das lojas e demais operações.

 

A situação, porém, vem aumentando a cautela de fornecedores. Há relatos de empresas que suspenderam entregas de produtos e passaram a exigir pagamento antecipado antes do envio das mercadorias.

 

Antes da crise, determinados fornecedores trabalhavam com prazos de pagamento que variavam entre 45 e 90 dias. Com o pedido de recuperação judicial, alguns contratos passaram a exigir pagamento à vista.

 

Também existem relatos de ações de despejo relacionadas a imóveis alugados onde funcionam unidades da varejista.

 

EMPRESA TEM OUTROS R$ 11 BILHÕES EM DÍVIDAS

 

Além dos R$ 17,3 bilhões incluídos no pedido de recuperação judicial, as Casas Bahia possuem aproximadamente R$ 11 bilhões em outros débitos que ficaram fora da reestruturação.

 

Essas obrigações são classificadas como extraconcursais e, por determinação legal, não entram no processo de recuperação judicial. Entre os credores estão bancos, fundos de investimento e fornecedores de eletrodomésticos.

 

Em alguns casos, os mesmos credores aparecem nas relações de dívidas incluídas e não incluídas na recuperação.

 

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O volume elevado de obrigações fora do processo aumenta a complexidade da reestruturação financeira da companhia e representa mais um desafio para a varejista enquanto busca negociar suas dívidas e manter as atividades em funcionamento. 

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