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Lula fala sobre redução da maioridade penal, Banco Master e Bolsa Família em entrevista à Globo
Foto: Manuella Mello/Globo

Em entrevista na reta final da campanha presidencial, presidente defendeu a redução da maioridade penal para crimes hediondos, criticou a participação do diretor-geral da Polícia Federal em evento ligado a Daniel Vorcaro e reconheceu dificuldades para com

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, na noite da última quinta-feira (15), de uma entrevista à TV Globo na qual abordou temas relacionados à segurança pública, economia, investigações envolvendo o Banco Master e relações internacionais. A conversa ocorreu a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Durante a entrevista, Lula reconheceu dificuldades para melhorar a avaliação de seu governo, defendeu medidas que fazem parte de sua agenda política e comentou controvérsias envolvendo autoridades públicas e o empresário Daniel Vorcaro.

 

Um dos principais assuntos foi a redução da maioridade penal. Questionado sobre a possibilidade de diminuir de 18 para 16 anos a idade a partir da qual uma pessoa pode responder criminalmente como adulta, Lula afirmou ser favorável à medida em casos de crimes hediondos. A discussão está relacionada a uma emenda apresentada pelo senador e ex-ministro Camilo Santana (PT) à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O presidente, no entanto, criticou a tentativa de inserir o tema nessa proposta e se posicionou contra a redução para 14 anos defendida por integrantes do Partido Liberal (PL). Lula também defendeu o fortalecimento da atuação federal na segurança pública, incluindo a criação de um ministério específico e o financiamento de 138 presídios de segurança máxima.

 

A participação do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, em um evento promovido por Vorcaro em Londres também foi questionada. Lula afirmou que chamou o dirigente para conversar depois de tomar conhecimento de sua presença em uma degustação de uísque organizada pelo empresário. Embora tenha elogiado o trabalho de Rodrigues à frente da corporação, o presidente disse não ter ficado convencido pelas explicações apresentadas e avaliou que o diretor não deveria ter participado do encontro. Lula também criticou relatos sobre festas e encontros envolvendo autoridades e pessoas ligadas ao empresário, afirmando que esse tipo de situação exige atenção.

 

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As relações entre Vorcaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foram outro ponto da entrevista. Lula defendeu que as suspeitas sejam investigadas e afirmou que as denúncias precisam ser esclarecidas, citando ministros cujos nomes apareceram nas discussões sobre o caso. O presidente também defendeu a criação de mandatos para integrantes do Supremo, como parte de uma reforma ética do Judiciário. Ao comentar a situação do ministro Alexandre de Moraes, alvo de questionamentos relacionados ao caso, Lula afirmou que as críticas contra ele também estariam relacionadas a decisões judiciais envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente ainda mencionou uma operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro que atingiu uma figura política ligada ao grupo bolsonarista.

 

Outro tema foi o Bolsa Família. Lula explicou que decidiu discutir o reajuste do benefício depois de descobrir, durante uma reunião com ministros, que o valor não havia sido corrigido pela inflação ao longo de seu mandato. O presidente classificou a situação como inexplicável em um governo que tem a proteção social entre suas prioridades. A declaração ocorreu em meio a críticas sobre o anúncio de medidas econômicas e sociais próximo ao período eleitoral. Lula também defendeu iniciativas como a tarifa zero no transporte público aos fins de semana e o fim da escala de trabalho 6x1, argumentando que essas propostas fazem parte das ações de governo. Sobre o ajuste fiscal, afirmou que o crescimento da economia é uma das formas de enfrentar as dificuldades das contas públicas.

 

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Ao avaliar sua campanha, Lula reconheceu que ainda não conseguiu convencer parte da população sobre os resultados econômicos de sua administração. O presidente afirmou que assume a responsabilidade pela avaliação do governo e que não pretende atribuir a terceiros a dificuldade de comunicação com os eleitores. Ele também voltou a comparar a situação atual do país com a encontrada ao assumir o mandato, fazendo referências às condições deixadas pela administração anterior. Na política internacional, adotou um tom conciliador ao falar sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula afirmou manter uma relação civilizada com o norte-americano e disse que pretende continuar negociando questões comerciais, incluindo as tarifas impostas pelos Estados Unidos, sem demonstrar intenção imediata de recorrer à lei de reciprocidade. A entrevista integrou a programação da TV Globo com os candidatos à Presidência na reta final da disputa eleitoral.

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