Presidente brasileiro avalia reunião bilateral ainda em 2026 e orienta equipe a manter postura pragmática diante da ida do senador aos Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda em 2026. A possibilidade foi discutida com ministros e integrantes do governo brasileiro, que buscam definir uma data para o encontro sem ampliar as tensões diplomáticas provocadas pela ida do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
Duas oportunidades estão sendo consideradas para a reunião bilateral. A primeira seria durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), nas Filipinas, entre os dias 15 e 17 de novembro. A segunda possibilidade é um encontro à margem da cúpula do G20, prevista para os dias 14 e 15 de dezembro, em Miami, na Flórida.
As equipes diplomáticas dos dois países trabalham para compatibilizar as agendas dos presidentes. A intenção brasileira é manter o diálogo com Washington e avançar em temas de interesse econômico e comercial, mesmo diante das divergências políticas recentes e das declarações de Trump sobre o processo eleitoral brasileiro.
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No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a relação entre Lula e Trump não deve ser comprometida pelo episódio envolvendo Flávio Bolsonaro. Integrantes do governo acreditam que o presidente americano continuará disposto a negociar com o chefe do Executivo brasileiro, reeleito para um novo mandato, apesar das críticas feitas à eleição no Brasil.
A orientação do governo é evitar manifestações que possam transformar a saída do senador em uma crise diplomática entre os dois países. A avaliação é de que eventuais medidas relacionadas ao descumprimento de determinações judiciais por Flávio devem ser conduzidas pelas autoridades competentes, sem que a Presidência da República assuma a linha de frente do caso.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após ser intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal. O senador viajou com a família para os Estados Unidos, em um episódio que provocou questionamentos sobre o possível apoio de integrantes do governo americano à viagem. O presidente Donald Trump afirmou que não pretende se envolver politicamente na situação do parlamentar, embora tenha voltado a questionar a eleição brasileira sem apresentar provas de fraude.
O governo brasileiro também busca preservar as negociações comerciais com os Estados Unidos, incluindo as discussões relacionadas às tarifas aplicadas a produtos brasileiros. A avaliação de integrantes do Planalto é de que ampliar o conflito político poderia dificultar as tratativas econômicas e prejudicar os interesses do país.
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A estratégia de Lula, portanto, é manter os canais diplomáticos abertos, acompanhar os desdobramentos envolvendo Flávio Bolsonaro e evitar que as declarações do senador determinem a agenda internacional do governo. A realização do encontro com Trump ainda depende da confirmação das agendas e da definição de uma data pelas equipes diplomáticas dos dois países.