Problema pode levar à troca desnecessária de medicamentos e piora dos sintomas, explica especialista
Apesar dos avanços no tratamento da asma, o controle da doença ainda enfrenta desafios importantes no dia a dia dos pacientes. Estudos apontam que maioria das pessoas com o problema ainda não utiliza corretamente os dispositivos inalatórios, o que compromete diretamente o tratamento. Pesquisas indicam que entre 70% e 95% dos pacientes cometem erros na técnica de inalação, reduzindo a eficácia do tratamento e aumentando o risco de crises.
Estudos recentes reforçam esse cenário e indicam a necessidade de ampliar ações educativas em saúde, com foco no uso correto dos dispositivos. “Muitas vezes, o paciente não entende exatamente como utilizar o inalador. Ele tenta seguir o manual, mas acaba usando de um jeito que não é 100% correto, o que induz a uma má administração do medicamento e compromete a dose e a resposta ao tratamento”, explica o farmacêutico da rede Santo Remédio, Lucas de Sá Morais.
Segundo o profissional, o uso inadequado pode levar tanto à falta de eficácia quanto a reações adversas. “Se o paciente faz uma subdose, pode acabar trocando para um medicamento mais potente antes mesmo de obter uma resposta adequada com a dose correta. Já doses acima do recomendado podem induzir toxicidade”, alerta.
Veja também

Inteligência artificial em mamografias pode ajudar a prever risco cardíaco em mulheres
Especialistas alertam para riscos de fungos e infecções em barbas sem higiene adequada
DICAS GERAIS
Para garantir a eficácia do tratamento, alguns cuidados simples fazem toda a diferença. A primeira orientação é sempre ler o manual do fabricante e higienizar as mãos antes do uso, com água e sabão por pelo menos 20 segundos ou álcool em gel 70%.
Em seguida, é importante preparar o dispositivo conforme o tipo. No inalador dosimetrado (MDI), recomenda-se agitá-lo por cerca de 10 segundos. Já nos inaladores de pó seco (DPI) ou nebulizadores, o procedimento inicial deve seguir as orientações específicas do fabricante.
Durante a aplicação, o paciente deve posicionar o bocal entre os dentes, vedar com os lábios e inspirar profundamente ao liberar o medicamento, no caso do MDI. Após a inalação, é indicado prender a respiração por cerca de 10 segundos e, em seguida, expirar lentamente. Ao final, recomenda-se enxaguar a boca para evitar irritações, especialmente em tratamentos contínuos.
SOBRE A ASMA
A asma é uma doença inflamatória crônica que afeta as vias aéreas e provoca sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no tórax. Embora não tenha cura, o controle adequado é possível com o uso correto dos medicamentos e acompanhamento médico regular.
De acordo com a literatura médica, cerca de 10% da população apresenta predisposição genética para a doença, frequentemente associada à rinite alérgica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 150 milhões de pessoas vivem com asma no mundo.
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20 milhões de pessoas convivem com a doença. Anualmente, são registradas cerca de 350 mil internações por complicações, o que coloca a asma entre as principais causas de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS).
ORIENTAÇÃO FARMACÊUTICA
Diante desse cenário, o acompanhamento profissional se torna fundamental. Segundo Lucas de Sá Morais, muitos pacientes procuram atendimento médico acreditando que o medicamento não está funcionando, quando, na realidade, o problema está na forma de uso.
“É nesse momento que entra o papel do farmacêutico, que pode esclarecer dúvidas e orientar sobre a técnica correta de inalação. Com isso, o paciente tende a ter uma resposta mais eficaz ao tratamento, evitando o uso desnecessário de medicamentos mais fortes e possíveis efeitos adversos”, destaca.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O suporte adequado contribui não apenas para o controle da doença, mas também para a qualidade de vida do paciente, reduzindo crises e a necessidade de intervenções mais complexas.