A chave está no planejamento, na qualidade dos alimentos e no impacto real sobre o metabolismo
O jejum intermitente deixou de ser uma prática alternativa para se transformar em uma tendência mundial associada à perda de peso e à melhora da saúde metabólica. No entanto, junto com a popularização, surgiram também interpretações equivocadas que podem colocar a saúde em risco.
Para muita gente, jejuar passou a significar apenas pular uma refeição por falta de tempo ou deixar de comer como solução rápida para emagrecer. Segundo o médico Alexandre Olmos, essa ideia é incorreta e pode ser totalmente contraproducente.
De acordo com o especialista, o jejum intermitente não é uma restrição alimentar improvisada. Trata-se de um padrão alimentar estruturado, que organiza períodos específicos do dia para alimentação e para jejum, com o objetivo de provocar mudanças metabólicas controladas. A diferença não está apenas no tempo sem comer, mas na intenção, no planejamento e, principalmente, na qualidade dos alimentos consumidos.
Veja também

Ameixa seca vira aliada poderosa para manter músculos e ossos fortes após os 45 anos
JEJUAR NÃO É PASSAR FOME
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/x/b/gxqjsuSMCe4OPT7FagFw/160158.jpg)
Olmos explica que o jejum intermitente não consiste em suportar fome ou castigar o corpo. O processo permite que o organismo passe mais tempo sem ingestão calórica para alternar suas fontes de energia, reduzindo os níveis de insulina e estimulando o uso da gordura armazenada.
Um erro comum é acreditar que pular o café da manhã ou o jantar já configura jejum intermitente. Na prática, deixar de comer sem estratégia não garante benefício algum e pode causar desequilíbrios no organismo. Sem refeições adequadas antes e depois do jejum, o corpo não consegue se adaptar de forma saudável.
O sucesso da prática está no planejamento. Um jejum bem executado inclui refeições equilibradas, ricas em proteínas, fibras e gorduras saudáveis, evitando picos de glicose e garantindo mais estabilidade de energia ao longo do dia.
RISCOS DE FICAR SEM COMER SEM CRITÉRIO

Deixar de comer sem orientação pode causar tontura, fadiga, dificuldade de concentração e desejo intenso por alimentos açucarados. A longo prazo, esse comportamento pode alterar hormônios relacionados à fome, desacelerar o metabolismo e até favorecer o ganho de peso, principalmente quando há compensação com alimentos ultraprocessados.
Segundo Olmos, esse tipo de restrição desordenada não ativa os mecanismos positivos do jejum intermitente e ainda pode gerar ansiedade e uma relação problemática com a alimentação.
COMO O JEJUM INTERMITENTE DEVE SER FEITO

Fotos: Reprodução
Para quem deseja adotar a estratégia, a recomendação é começar de forma gradual. Protocolos como 12/12 ou 14/10 são indicados para iniciantes, enquanto o método 16/8 é o mais conhecido. Em todos eles, a janela alimentar deve priorizar alimentos naturais e nutritivos.
Durante o período de jejum, são permitidas apenas bebidas sem calorias, como água, café preto e chás sem açúcar. A primeira refeição após o jejum é considerada essencial e deve conter proteínas de qualidade, vegetais e gorduras saudáveis.
O horário das refeições também faz diferença. Estudos recentes apontam que comer mais cedo e encerrar a alimentação no fim da tarde contribui para melhor controle do açúcar no sangue e melhora da saúde metabólica.
ESTUDOS E ALERTAS
Pesquisas conduzidas por universidades como Johns Hopkins e Harvard, além de revisões clínicas da Clínica Mayo, apontam benefícios do jejum intermitente na regulação da glicose, na saúde cardiovascular e nos processos de reparação celular.
Mesmo assim, o médico alerta que o jejum intermitente não é indicado para todos. Pessoas com doenças específicas, histórico de transtornos alimentares, gestantes e crianças só devem adotar a prática com acompanhamento profissional.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O jejum intermitente não é moda. Quando bem aplicado, pode ser uma ferramenta poderosa; quando mal compreendido, pode se transformar em um risco desnecessário à saúde.