Queda do estrogênio pode aumentar o ressecamento, a sensibilidade, as rugas e a flacidez, tornando necessária a adaptação da rotina de skincare.
A menopausa marca uma nova etapa no organismo feminino e também provoca mudanças visíveis na pele. Com a redução dos níveis de estrogênio, hormônio que participa da hidratação, elasticidade, espessura e proteção da pele, é comum que surjam sinais como ressecamento, maior sensibilidade, flacidez e evidência de rugas.
Segundo a dermatologista Angela Carolina, professora do curso de pós-graduação da Afya Educação Médica, a intensidade dessas alterações varia de mulher para mulher e não depende exclusivamente das mudanças hormonais. Fatores como genética, exposição solar acumulada ao longo da vida, tabagismo e hábitos cotidianos também influenciam no processo de envelhecimento da pele.
A queda do estrogênio interfere na capacidade de a pele reter água e manter sua barreira de proteção. Por isso, durante e após a menopausa, algumas mulheres podem perceber sensação de repuxamento, descamação e maior sensibilidade a produtos que antes eram utilizados sem causar desconforto.
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Outro efeito importante está relacionado ao colágeno. A redução hormonal pode acelerar a perda dessa proteína, especialmente nos primeiros anos após a menopausa. Como o colágeno contribui para a sustentação e firmeza da pele, sua diminuição pode favorecer o aparecimento ou aprofundamento das rugas e o aumento da flacidez.
Diante dessas transformações, a rotina de cuidados também precisa acompanhar as novas necessidades da pele. De acordo com a especialista, não é necessário utilizar uma grande quantidade de produtos. Os principais cuidados devem envolver limpeza suave, hidratação adequada e uso diário de protetor solar.
A partir desses três pilares, outros produtos podem ser incorporados de acordo com as características e necessidades de cada pessoa, principalmente quando há queixas relacionadas a rugas, manchas, flacidez ou ressecamento.
“Uma rotina eficiente não precisa ser complicada. É importante entender que a pele muda e os cuidados também precisam acompanhar essas mudanças”, orienta Angela Carolina.
Entre os ativos que podem fazer parte da rotina estão os retinoides, o ácido hialurônico, a vitamina C e a niacinamida. Cada substância possui uma finalidade diferente. Os retinoides auxiliam na renovação da pele e no tratamento dos sinais do envelhecimento. O ácido hialurônico contribui para a hidratação, enquanto a vitamina C apresenta ação antioxidante e pode ajudar na uniformização da pele. Já a niacinamida pode contribuir para o fortalecimento da barreira cutânea, hidratação e melhora de manchas.
Apesar das diferentes possibilidades, a dermatologista alerta que não é necessário combinar todos esses ativos. O excesso de produtos pode aumentar a irritação, principalmente em uma pele que já apresenta maior sensibilidade durante essa fase da vida.
“O ideal é procurar um médico dermatologista para que o profissional analise qual a melhor estratégia de cuidado”, afirma.
Produtos potencialmente irritantes, como determinados ácidos e retinoides, também devem ser introduzidos de maneira gradual. Uma possibilidade é iniciar o uso com menor frequência e observar a reação da pele, mantendo a hidratação e a fotoproteção diariamente.
Vermelhidão persistente, ardência intensa ou descamação importante podem indicar que determinado produto ou frequência de aplicação não está adequado para aquela pele.
As mudanças provocadas pela menopausa também podem atingir outras estruturas. Nos cabelos, é possível observar afinamento progressivo dos fios, redução do volume, alteração da textura e maior ressecamento. Nas unhas, uma das queixas mais comuns é o aumento da fragilidade e da tendência à quebra.
No entanto, a especialista ressalta que nem toda alteração deve ser automaticamente atribuída à menopausa. Queda de cabelo intensa ou persistente, afinamento progressivo, falhas no couro cabeludo e mudanças significativas nas unhas precisam ser investigados por um dermatologista, já que outras doenças e deficiências nutricionais podem apresentar sintomas semelhantes.
Além dos cuidados realizados em casa, procedimentos dermatológicos também podem ser considerados para tratar alterações específicas da pele madura. Entre as opções estão tratamentos com laser, bioestimuladores e tecnologias de radiofrequência.
Não existe, porém, um procedimento único indicado para todas as mulheres que estão na menopausa. A escolha deve levar em conta características individuais, como tipo de pele, grau de flacidez, presença de manchas e rugas, perda de volume e, principalmente, as queixas e objetivos de cada paciente.
“Lasers, bioestimuladores e tecnologias como a radiofrequência podem ser excelentes ferramentas quando bem indicados. O mais importante é que o tratamento seja personalizado e baseado em uma avaliação médica dermatológica criteriosa”, destaca Angela Carolina.
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A formação de profissionais capacitados também é apontada como importante para ampliar o acesso a um atendimento dermatológico qualificado e adequado às diferentes necessidades da população. Nesse contexto, a Afya Educação Médica oferece pós-graduação em Dermatologia, com o objetivo de ampliar a formação de médicos especialistas no Amazonas e contribuir para o fortalecimento do atendimento especializado na Região Norte.