Quando o assunto é envelhecer com saúde, força muscular e capacidade cardiorrespiratória costumam receber grande atenção. Mas outro componente é fundamental para manter a independência ao longo dos anos: a mobilidade.
Com o envelhecimento, é natural que ocorram mudanças nas articulações. Cartilagens, tendões e ligamentos passam por alterações, enquanto a musculatura pode perder flexibilidade e algumas articulações apresentar redução da amplitude de movimento.
O problema surge quando essa perda é tratada como inevitável e a pessoa deixa de estimular o corpo a continuar se movimentando.
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Mobilidade e flexibilidade não são exatamente a mesma coisa. A flexibilidade está relacionada à capacidade dos músculos e tecidos de permitir determinado movimento. Já a mobilidade envolve também o controle da articulação dentro de uma amplitude adequada.
Para agachar, por exemplo, é preciso combinar mobilidade de tornozelos, joelhos e quadris com força e controle muscular. Para alcançar um objeto em uma prateleira alta, é necessário ter boa movimentação dos ombros e da coluna.
FORÇA E MOBILIDADE CAMINHAM JUNTAS

Uma pessoa pode ter força suficiente nas pernas, mas, se apresentar limitações nos tornozelos ou quadris, terá dificuldade para agachar, levantar de uma cadeira ou subir um degrau.
Com o tempo, a restrição de movimento pode fazer com que a pessoa se movimente menos. Isso pode contribuir para uma perda progressiva de força e capacidade funcional.
Por isso, trabalhar mobilidade ao longo da vida não significa buscar movimentos extremos. O objetivo é preservar ações fundamentais para a independência.
Colocar uma meia, amarrar os sapatos, abaixar para pegar um objeto, entrar e sair do carro, olhar para trás, alcançar um armário, tomar banho, vestir-se e carregar compras são tarefas que dependem da combinação entre força, equilíbrio e mobilidade.
Quando uma dessas capacidades diminui de forma significativa, as demais também podem ser prejudicadas.
MOBILIDADE TAMBÉM AJUDA NA PRÁTICA DE EXERCÍCIOS

Fotos: Reprodução
Uma boa mobilidade facilita a realização de exercícios de força com técnica adequada e maior amplitude de movimento.
Esse aspecto se torna ainda mais importante a partir dos 50 ou 60 anos, quando preservar massa muscular e força passa a ter papel fundamental na manutenção da autonomia.
Não é necessário passar longos períodos fazendo alongamentos. Movimentar as articulações regularmente, trabalhar tornozelos, quadris, coluna e ombros e alongar os principais grupos musculares podem ser estratégias simples para incluir na rotina.
O próprio treinamento de força, quando realizado de forma adequada e com boa amplitude, também pode contribuir para a manutenção da mobilidade.
CADA PESSOA TEM UMA NECESSIDADE
É importante respeitar as limitações individuais. Pessoas com artrose, próteses articulares, dores persistentes ou outras condições específicas podem precisar adaptar os movimentos e buscar orientação profissional.
Mobilidade não deve ser uma competição para alcançar a maior amplitude possível. Dor não é necessária para melhorar a movimentação.
O corpo responde aos estímulos que recebe. Quando determinados movimentos deixam de ser realizados por longos períodos, a capacidade de executá-los tende a diminuir. Já a prática regular e segura dessas amplitudes pode ajudar a preservá-las.
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O envelhecimento provoca mudanças naturais no organismo, mas manter-se ativo e trabalhar força, equilíbrio e mobilidade pode fazer diferença para continuar realizando as atividades do dia a dia com autonomia e qualidade de vida.