*Por Antônio Zacarias e George Tasso - A atuação do senador Omar Aziz à frente da CPI da Covid representou um divisor de águas na história recente do Brasil e teve um efeito direto na salvação de milhares de vidas. Em um dos momentos mais sombrios da pandemia, quando autoridades públicas minimizavam a gravidade da doença, desdenhavam da ciência e propagavam falsas soluções, a CPI presidida por Omar colocou luz onde havia omissão e responsabilidade onde reinava o cinismo.
Sob sua condução firme, a comissão desmascarou discursos negacionistas, confrontou autoridades que trataram a pandemia como um detalhe estatístico e expôs, em rede nacional, aqueles que recomendavam o uso da cloroquina e outros medicamentos sem qualquer comprovação científica, induzindo a população ao erro e atrasando políticas públicas baseadas em evidências. A CPI não apenas investigou: corrigiu rumos, pressionou o Estado brasileiro a rever práticas criminosas e recolocou a vida humana no centro do debate.
Não foi uma tarefa simples nem confortável. Durante os trabalhos, Omar Aziz sofreu tentativas explícitas de intimidação, inclusive por parte de militares de alta patente, incomodados com o avanço das investigações. Ainda assim, o senador não se curvou, não recuou e não se intimidou. Manteve a CPI em funcionamento, sustentou os trabalhos com equilíbrio e coragem institucional e reafirmou, diante do país, que ninguém está acima da lei quando vidas são perdidas.
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A CPI da Covid entrou para a história do Parlamento brasileiro como uma de suas ações mais relevantes porque escancarou uma das grandes contradições do nosso tempo: um modelo de sociedade marcado por um capitalismo de ganância voraz, no qual o lucro se sobrepõe à vida, o interesse privado atropela o interesse coletivo e o amanhã simplesmente deixa de importar. Esse modelo tem nome — neoliberalismo, também conhecido como capitalismo selvagem.
Os episódios revelados pela CPI, especialmente os relacionados às vacinas, são emblemáticos da selvageria e da insensibilidade humana. Nada, porém, simboliza de forma tão cruel esse colapso moral quanto as cenas aterradoras vividas em Manaus, com pessoas morrendo sufocadas por falta de oxigênio — imagens que mais pareciam retiradas de filmes de terror, mas que eram a dura realidade de um povo abandonado. Mais uma vez, a vida imitou a arte, da pior maneira possível.
Esses fatos tiveram responsáveis. Eles foram apontados, documentados e comprovados ao longo das investigações. O que permanece, até agora, é a impunidade. O grande desafio que se impõe à sociedade brasileira é dar consequência ao trabalho histórico da CPI da Covid, transformando apuração em justiça, relatório em responsabilização e levando ao banco dos réus aqueles que, por ação ou omissão, contribuíram para uma das maiores tragédias sanitárias da nossa história.
Omar fez a sua parte; a CPI fez a sua parte. Agora, cabe ao país não deixar que ela seja esquecida.
*Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 3 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.
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*George Tasso exerceu os cargos de superintendente do INCRA, assessor de Política Agrária do Ministério do Desenvolvimento Agrário, assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República, secretário de Estado de Política Fundiária e secretário de Estado de Governo. É advogado e foi diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), eleito por duas vezes.