Uma nuvem que pode alcançar cerca de 1.800 quilômetros de extensão está chamando a atenção de cientistas que estudam a atmosfera de Marte. Conhecida como Nuvem Alongada de Arsia Mons, a estrutura surge perto de um vulcão com aproximadamente 20 quilômetros
O fenômeno é monitorado pela sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA). A nuvem é formada por gelo de água e costuma aparecer durante a primavera e o verão do hemisfério sul marciano. Apesar de seu comprimento impressionante, a estrutura geralmente é relativamente estreita e pode mudar de tamanho ao longo do dia.
Um estudo publicado na revista científica Nature Geoscience apresenta uma possível explicação para a formação da nuvem. Segundo os pesquisadores, o vapor de água pode se transformar diretamente em partículas de gelo, sem precisar se condensar ao redor de partículas preexistentes, como poeira. Esse mecanismo é conhecido como nucleação homogênea.
A hipótese está relacionada às condições atmosféricas próximas ao vulcão Arsia Mons. Quando os ventos encontram o relevo elevado, o ar úmido é forçado a subir rapidamente. Durante esse movimento, a temperatura pode cair cerca de 30 °C em apenas dez minutos, criando condições favoráveis à formação dos cristais de gelo.
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Os modelos meteorológicos utilizados anteriormente não conseguiam reproduzir adequadamente o desenvolvimento da nuvem. Ao incluir o mecanismo de nucleação homogênea nas simulações, a equipe conseguiu representar melhor o fenômeno. O resultado reforça a hipótese, mas não significa que todos os detalhes da formação já estejam esclarecidos.

Foto: Reprodução
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A descoberta pode ampliar o conhecimento sobre a dinâmica atmosférica de Marte e ajudar a compreender processos semelhantes em outros planetas. Os pesquisadores ressaltam, porém, que ainda existem diferenças entre as simulações e as observações feitas pelas sondas, o que torna necessárias novas análises para confirmar e aprofundar a explicação proposta.