Infecção que causou milhões de mortes ao longo da história ainda existe e pode matar em poucas horas
Após uma pesquisadora de 28 anos, que trabalhava em um laboratório russo que estuda peste e outros patógenos perigosos, morrer devido a uma pneumonia de causa ainda não esclarecida, uma preocupação internacional se acendeu. O Departamento de Estado dos EUA e o CDC americano informaram que acompanham a situação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta segunda-feira (5) que está em contato com autoridades russas para entender quais testes estão sendo feitos.
O caso aconteceu no Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, na Sibéria, onde outras pessoas foram colocadas em quarentena.A agência russa que monitora doenças infecciosas, a Rospotrebnadzor, tentou minimizar a relação entre a morte e o trabalho da pesquisadora.
“Com base nas informações não oficiais disponíveis, o risco para a saúde pública da população em geral parece ser baixo”, afirmou um porta-voz da OMS. A avaliação pode mudar conforme surgirem novos dados.
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O QUE É PESTE PNEUMÔNICA
A suspeita recai sobre a peste pneumônica, considerada a forma mais perigosa e rara da peste. Ela é causada pela bactéria Yersinia pestis e ataca diretamente os pulmões.
Diferente da peste bubônica, que é a mais comum e ocorre após picada de pulga infectada com inchaço dos gânglios, e da peste septicêmica, que atinge o sangue e pode causar falência de órgãos, a forma pneumônica é a única que passa de pessoa para pessoa.
A transmissão acontece por gotículas respiratórias ao tossir ou espirrar. Nos pulmões, a bactéria provoca pneumonia grave com evolução muito rápida.
Os sintomas podem aparecer em até 24 horas e incluem febre alta, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo, tontura, fraqueza, náusea, vômito e falta de ar.
SEM TRATAMENTO, É QUASE FATAL
Sem antibiótico, a doença mata na quase totalidade dos casos. Quando tratados nas primeiras 24 horas com antibióticos como ciprofloxacino, levofloxacino, moxifloxacino ou gentamicina, por 10 a 14 dias, os pacientes têm chance de sobreviver.
O tratamento inclui ainda oxigênio e hidratação.A OMS não recomenda vacina para a população em geral, apenas para profissionais de laboratório com exposição constante.
Embora conhecida como Peste Negra no século 14, quando matou mais de 50 milhões na Europa, a doença ainda existe. Desde os anos 1990, a maioria dos casos está na África, mas há registros em quase todos os continentes, exceto na Oceania.
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O último caso de transmissão entre pessoas nos EUA foi em 1924, em Los Angeles. A morte mais recente por peste pneumônica no país foi em julho de 2025, no Arizona, em um jovem que teve contato com gatos doentes.