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O que explica o recorde de quase 9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil
Foto: Bloomberg

Consumidores em loja do Grupo Pão de Açúcar em São Paulo. Empresa pediu recuperação extrajudicial

O Brasil atingiu um recorde de cerca de 8,9 milhões de empresas inadimplentes, um nível histórico que reflete a combinação de juros elevados, crédito restrito e efeitos acumulados do endividamento da pandemia.

 

Segundo dados do setor, o total de dívidas em atraso dessas empresas soma aproximadamente R$ 213 bilhões. A maior parte desse grupo é formada por micro e pequenas empresas, que representam uma fatia relevante da economia brasileira e são as mais sensíveis às condições de crédito.

 

O principal fator apontado para a crise é o custo elevado dos empréstimos. Com a taxa básica de juros em patamar de dois dígitos e próximo de máximas de duas décadas, o crédito ficou mais caro e difícil de ser renovado. Muitas empresas que haviam se endividado durante a pandemia, quando os juros estavam em níveis historicamente baixos, agora enfrentam dificuldades para rolar suas dívidas.

 

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Nesse período, parte das companhias tomou crédito não apenas para sobreviver, mas também para expandir operações. Com a retomada econômica mais lenta e o aumento dos custos financeiros, o equilíbrio do caixa se deteriorou.

 

Outro elemento importante é a restrição do acesso ao crédito. Bancos passaram a ser mais seletivos na concessão de novos empréstimos, o que afeta principalmente empresas de médio e pequeno porte, muitas das quais dependem fortemente de financiamento para manter suas atividades.

 

O cenário tem levado um número crescente de companhias a buscar alternativas como renegociação de dívidas e recuperação extrajudicial ou judicial. Em alguns casos, grandes empresas também passaram a recorrer a reestruturações financeiras para lidar com a pressão do endividamento.

 

Apesar do aumento da inadimplência, o mercado de capitais e indicadores mais amplos da economia ainda não apontam risco sistêmico imediato. No entanto, especialistas alertam que a permanência de juros elevados por um período prolongado pode continuar pressionando o setor produtivo.

 

Além disso, o impacto não se limita às empresas. O endividamento das famílias em patamares elevados também contribui para um ambiente de consumo mais fraco, o que afeta diretamente a receita das companhias e agrava o ciclo de inadimplência.

 

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Economistas avaliam que a situação reflete uma espécie de “ressaca” do período de crédito barato durante a pandemia, agora revertida por um cenário de juros altos e crescimento econômico mais lento, que reduz a capacidade de pagamento e investimento das empresas brasileiras. 

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