No primeiro discurso da festa, Michelle Obama criticou política anti-imigração: Ninguém tem o direito de julgar quem é americano o suficiente
O Centro Presidencial de Barack Obama está sendo inaugurado nesta sexta-feira, em Chicago, com shows de artistas como Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Bono e The Edge e a presença dos ex-presidentes dos EUA Joe Biden, Bill Clinton e George W. Bush, acompanhados das ex primeiras-damas Jill Biden, Laura Bush e Hillary Clinton. O atual mandatário, Donald Trump, não foi convidado.
Barack Obama discursou após a ex primeira-dama, Michelle, e ao agradecer a presença dos ex-presidentes, dedicou uma mensagem especial a Joe Biden:
— Começamos como companheiros de chapa e terminamos como uma família, e não estaríamos aqui sem você. E somos gratos — disse Obama, que lembrou o aniversário de 250 anos da independência dos EUA, que será comemorado em 4 de julho. — Como estamos a poucas semanas do 250º aniversário dos Estados Unidos, vale a pena lembrar o quão radical era, de fato, toda a ideia de autogoverno em 1776.
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Ele também afirmou esperar que o centro "sirva como uma afirmação de quão especial e preciosa a nossa democracia realmente é" e instou os presentes a lembrar "do que podemos alcançar quando abraçamos nossas responsabilidades compartilhadas como cidadãos".
A ex primeira-dama americana, Michelle Obama, discursou no palco montado do lado de fora do prédio antes de Barack. Ela começou agradecendo aos ex-presidentes presentes.
— Obrigada do fundo meu coração pelo seu trabalho pelo nosso país durante tantos anos e pela sua amizade constante e apoio à nossa família. Nós amamos vocês de verdade — disse Michele, que, em seguida, falou sobre Barack Obama. — Você me disse há muitos anos que não podia me prometer o mundo, mas podia prometer uma vida interessante e, é claro, você se superou e me deu os dois. Eu sei que nem sempre foi fácil, mas não houve um segundo nessa experiência ao seu lado que não tenha me deixado encantada.
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Michelle Obama discursa na inauguração do
Obama Presidential Center, em Chicago
(Foto: PEDRO UGARTE / AFP)
Em um dos momentos mais emocionantes da cerimônia, Obama brincou sobre o discurso da esposa, dizendo ter sido surpreendido.
— Ela me pegou de jeito. Não me deixou ver o discurso dela. Sabia que ia me desmontar emocionalmente, e fez isso mesmo assim — afirmou. — Ela sempre me tornou uma pessoa melhor. E eu não poderia ser mais grato.
Durante seu discurso, Michele criticou Donald Trump, ao lembrar as teorias conspiratórias sobre Barack Obama, incluindo as dúvidas colocadas sobre sua nacionalidade, uma ideia que foi promovida por Trump.
— As alegações de que um senador dos EUA e especialista em direito constitucional não era qualificado para o cargo. As mentiras sobre seu direito de nascimento, sua fé, seu patriotismo, a indignação quando você afirmou o fato biológico de que, se tivesse um filho, ele também seria negro — afirmou Michelle — Você permaneceu imperturbável em todos os momentos, sempre focado, sempre calmo e sempre olhando para o longo prazo.
Sem nunca mencionar Trump, Michelle Obama ainda afirmou que "especialmente nestes tempos ansiosos e divididos, precisamos lembrar que esses valores não são exclusivos do meu marido. No fundo de nossos corações e almas, sabemos o que é certo e o que é errado” e criticou a atual política anti-imigração.
— Ninguém tem o direito de julgar quem é americano o suficiente.
OLHAR PARA O FUTURO
Durante a cerimônia, Barack Obama também ressaltou que o centro presidencial não foi concebido para despertar nostalgia por seu período na Casa Branca, mas para servir de inspiração para o futuro.
— As exposições do centro não têm a intenção de despertar nostalgia por alguma era distante ou por algum passado inatingível — disse. — Elas existem para nos lembrar de quem podemos ser e do que é possível.
Segundo ele, a história dos EUA "não está congelada no passado" e ainda possui "capítulos a serem escritos por todos nós".
Ao falar sobre os valores que espera ver refletidos no centro presidencial, Obama fez uma crítica indireta a Trump, também sem citar o presidente pelo nome.
— Uma crença na transferência pacífica de poder depois que o povo se manifestou em eleições justas e livres, reconhecendo que, em uma sociedade grande e complexa como a nossa, nenhum grupo ou facção consegue o que quer 100% do tempo — afirmou.
O ex-presidente também citou "honestidade, integridade, gentileza, compaixão, senso de dever e honra" como valores fundamentais da vida pública.
— Esses são os valores e as tradições nos quais acredito, e eles não são valores republicanos nem democratas. São valores americanos que todos podemos compartilhar, independentemente do partido. Valores que todos os presidentes aqui presentes hoje, por mais diferentes que sejamos, tentaram defender da melhor forma possível — acrescentou.
Obama também reconheceu que seu governo teve falhas e disse que o centro presidencial abordará questões que permaneceram sem solução durante sua passagem pela Casa Branca.
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— Claro que não realizamos tudo o que pretendíamos fazer. Nenhuma administração consegue. Algumas das exposições refletem questões que permaneceram inacabadas — em alguns casos, minhas próprias limitações e erros — afirmou.