Investigação aponta que agentes teriam exigido até 70% do valor de cargas de eletrônicos para liberar mercadorias apreendidas
Cinco pessoas, entre policiais civis, um advogado e um empresário, foram presas nesta sexta-feira (28) durante a Operação Merx, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Corregedoria da Polícia Civil. A investigação apura um suposto esquema de desvio de cargas de eletrônicos e cobrança de propina para a liberação de mercadorias.
As ordens judiciais foram cumpridas na capital paulista, em cidades da Região Metropolitana de São Paulo e também nos estados do Paraná e de Goiás.
Segundo o MPSP, policiais civis teriam apreendido cargas de celulares de origem irregular e, posteriormente, exigido pagamentos para devolver os produtos a empresários ligados ao comércio de mercadorias eletrônicas contrabandeadas.
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A investigação aponta que um advogado atuava como intermediário nas negociações, enquanto empresários seriam responsáveis por efetuar os pagamentos exigidos pelos agentes públicos.
De acordo com as apurações, os valores cobrados para liberar as cargas chegam a R$ 2,35 milhões. Em alguns casos, a propina corresponderia a aproximadamente 70% do valor total das mercadorias apreendidas.
QUEM SÃO OS INVESTIGADOS
A Justiça decretou a prisão preventiva de sete investigados, incluindo quatro policiais civis: José Adriano Pereira da Silva Nishi, Bruno Moreno dos Santos, Marcos Vinícius de Souza Melo e Wagner Ramalho.
Wagner Ramalho, porém, não havia sido localizado até a divulgação das informações sobre a operação.
Também foram presos o advogado Sidiclei da Costa Almeida e o empresário Jonathan Vieira.
Outro investigador, Wagner de Lima, foi afastado das funções e proibido de manter contato com investigados e testemunhas. Ele não foi preso.
BUSCAS EM DELEGACIAS
Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados. Entre os locais visitados estão delegacias nos municípios de Cotia e Embu das Artes.
As diligências foram realizadas por promotores do MPSP e agentes da Corregedoria da Polícia Civil.
Além das prisões e buscas, a Vara Regional de Garantias de Osasco determinou o sequestro e o bloqueio de bens dos investigados, no valor de até R$ 4 milhões.
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As investigações continuam para esclarecer a participação de cada suspeito e identificar a extensão do suposto esquema.