Pesquisa identificou alterações genéticas associadas à resistência a tratamentos antigos e atuais contra a forma mais grave da doença
Um estudo publicado na revista Nature Microbiology identificou um conjunto de mutações genéticas no Plasmodium falciparum, parasita responsável pela forma mais grave da malária, que pode dificultar o combate à doença.
A pesquisa analisou amostras coletadas entre 2019 e 2023 em diferentes regiões da Etiópia. Os cientistas buscaram identificar alterações no material genético do parasita relacionadas à resistência a medicamentos utilizados no tratamento da malária ao longo dos anos.
Os resultados mostraram que algumas mutações associadas à resistência a medicamentos antigos continuam presentes. Marcadores relacionados à resistência à cloroquina foram encontrados em mais da metade das amostras, mesmo após o medicamento deixar de ser utilizado contra esse tipo de malária.
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Também foram identificadas alterações relacionadas à sulfadoxina-pirimetamina, outro tratamento que deixou de ser utilizado. Segundo os pesquisadores, os dados indicam que o parasita pode preservar adaptações adquiridas no passado enquanto desenvolve novas formas de resistência.
RESISTÊNCIA TAMBÉM ENVOLVE MEDICAMENTOS ATUAIS
A pesquisa encontrou ainda sinais relacionados aos medicamentos atualmente utilizados no tratamento da doença.
Entre as alterações identificadas estão marcadores associados à menor resposta à artemisinina, com maior ocorrência em determinadas regiões da Etiópia. Os pesquisadores também encontraram mudanças genéticas relacionadas à resposta à lumefantrina, medicamento que integra tratamentos combinados com derivados da artemisinina.
Os cientistas ressaltam, porém, que o estudo não avaliou diretamente se os medicamentos deixaram de funcionar nos pacientes. A análise identificou sinais genéticos associados à resistência, que podem indicar uma capacidade maior do parasita de escapar da ação dos remédios.
RESISTÊNCIA VARIA ENTRE REGIÕES
Outro destaque da pesquisa é que as mutações não aparecem de maneira uniforme. As combinações genéticas encontradas variam conforme a região analisada, o que pode resultar em diferentes padrões de resposta aos medicamentos.
Para os autores, a presença simultânea de diferentes mutações reforça a necessidade de acompanhar continuamente a evolução genética do Plasmodium falciparum.
O monitoramento pode ajudar pesquisadores e autoridades de saúde a identificar mudanças no comportamento do parasita e adaptar as estratégias de prevenção e tratamento de acordo com as características de cada região.