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Parte de foguete espacial de Musk colidirá com a Lua na quarta; impacto deve criar nova cratera
Foto: Reprodução

Cientistas também esperam que se forme uma nuvem de poeira espacial após o choque

O estágio superior do foguete Falcon 9 da SpaceX, a empresa aeroespacial de Elon Musk, se chocará contra a Lua na quarta (5), um ano e sete meses após ter sido descartado no espaço. O alerta foi feito por cientistas do Laboratório Nacional Los Alamos e do Ames Research Center, da NASA, a agência espacial americana em um artigo publicado há duas semanas no site científico arvix.org e ainda não revisado por pares.

 

Com 13,8 metros e cerca de cinco toneladas, a peça foi lançada com o foguete em 15 de janeiro de 2025 e chegou a ajudar a missão Firefly Blue Ghost 1 – a primeira totalmente comercial – a pousar na Lua em março. Apesar de, na mesma data, também ter lançado a missão japonesa Resilience com sucesso, o módulo de pouso teve seu sinal perdido pelo centro de controle na aterrissagem e este pedaço do foguete foi abandonado entre as órbitas terrestre e lunar.

 

A colisão deverá ocorrer no lado "iluminado" da Lua e, por isso, dificilmente será visto da Terra, estimam os cientistas no artigo. No entanto, eles preveem que o choque gere uma nova cratera na superfície do satélite – perto de outra já existente, a cratera Einstein – e uma nuvem de poeira que poderá ser observada do nosso planeta.

 

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Modelos estatísticos sugerem que o impacto escave 1,2 milhão de quilos de rególito lunar – isto é, poeiras, minerais e rochas da superfície. Ou seja, a nuvem seria equivalente de 150 a 200 vezes a massa do próprio foguete, o que a tornaria sua silhueta visível na Terra por até 10 minutos.

 

O impacto está previsto para ocorrer às 3h35 da manhã, horário de Brasília, e a escuridão da madrugada é ideal para que o fenômeno seja observado em boa parte da América do Sul, explicam os cientistas, já que a luz solar pode "encobrir" o flash gerado pela colisão e dificultar a formação posterior da silhueta e sua visualização. A costa leste da América do Norte também poderá admirar a nuvem provocada pelo lixo espacial da SpaceX.

 

Alterações artificiais da superfície lunar criadas pelo choque com materiais terrestres não são novidade: o primeiro ocorreu em 1959 quando a sonda soviética Luna 2 colidiu deliberadamente com a Lua. No entanto, os pesquisadores do Los Alamos, da NASA, do Project Pluto, entre outras instituições americanas e internacionais, acreditam que esta é uma oportunidade para um experimento.

 

"Graças ao interesse renovado em exploração lunar, o impacto de corpos artificiais com a Lua se tornará, quase certamente, mais frequente. Para evitar aumento descontrolado da quantidade de destroços espaciais na órbita lunar, como é o caso agora com a órbita inferior terrestre, o avanço do monitoramento do espaço cislunar do solo a estruturas espaciais será chave", justificam os pesquisadores.

 

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À agência Associated Press, o time afirmou que as equipes dos projetos Lunar Reconnaissance Orbiter, o robô espacial da NASA, e do sul-coreano Danuri Lunar Orbiter, a nave orbital lançada pelo próprio Falcon 9 em 2022, vão capturar imagens antes e depois do impacto. 

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