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Pesquisa brasileira aponta que calor extremo na gravidez pode afetar saúde e desenvolvimento dos bebês
Foto: Divulgação

Estudo indica que exposição a altas temperaturas durante a gestação está associada a menor peso ao nascer, parto prematuro e possíveis impactos no desenvolvimento infantil.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Insper acendeu um alerta sobre os efeitos das ondas de calor durante a gravidez. A pesquisa aponta que a exposição prolongada a temperaturas extremas pode comprometer o desenvolvimento do bebê ainda no útero e gerar reflexos nos primeiros anos de vida.

 

Os trabalhos fazem parte de um projeto do Centro Brasileiro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância (Cpapi) e acompanharam 946 bebês nascidos em maternidades públicas de Ribeirão Preto (SP) entre 2023 e 2024. Além disso, os pesquisadores analisaram dados de mais de 12,7 milhões de nascimentos registrados em todo o Brasil.

 

De acordo com os resultados, cada dia adicional de exposição a ondas de calor — definidas como períodos de pelo menos três dias consecutivos com temperaturas superiores a 35°C — esteve relacionado à redução média de 17,4 gramas no peso do bebê e de 0,1 centímetro no comprimento ao nascer. Em média, as gestantes analisadas enfrentaram cerca de seis dias de calor extremo durante a gravidez, o que representou uma perda aproximada de 100 gramas no peso dos recém-nascidos.

 

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O estudo também identificou um aumento no risco de complicações gestacionais, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, condições que podem antecipar o parto e comprometer a saúde da mãe e do bebê.

 

Os pesquisadores explicam que o calor intenso provoca alterações na circulação sanguínea da gestante, reduzindo a irrigação da placenta e dificultando o fornecimento de nutrientes e oxigênio ao feto. Esse processo pode influenciar diretamente o crescimento e o desenvolvimento da criança.

 

Além dos impactos observados no nascimento, outro estudo avaliou crianças entre seis e dez meses de idade e encontrou maior probabilidade de atrasos em habilidades motoras, como sentar, engatinhar e se locomover, além de dificuldades em tarefas relacionadas ao desenvolvimento cognitivo.

 

Uma terceira etapa da pesquisa apontou ainda que bebês expostos ao calor extremo durante a gestação apresentaram maior incidência de irritabilidade, alterações no sono e dificuldades na rotina de alimentação. Os cientistas também verificaram maior ocorrência de sintomas de depressão pós-parto entre mães que enfrentaram temperaturas elevadas durante a gravidez, fator que pode influenciar o comportamento infantil.

 

Especialistas ressaltam que, embora outros fatores sociais e econômicos também influenciem esses resultados, as evidências reforçam a necessidade de incluir gestantes entre os grupos prioritários nas políticas de adaptação às mudanças climáticas.

 

Entre as medidas sugeridas estão a emissão de alertas específicos durante ondas de calor, reforço das orientações no pré-natal, monitoramento mais rigoroso da pressão arterial e incentivo para que as gestantes mantenham o acompanhamento médico mesmo durante períodos de temperaturas extremas.

 

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Os pesquisadores continuarão acompanhando as crianças até os 36 meses de idade para verificar se os efeitos observados nos primeiros meses de vida permanecem e podem influenciar o desenvolvimento e o desempenho escolar no futuro. 

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