Levantamento do Inpa e da Ufam contesta pesquisas anteriores e reforça a importância da conservação do maior peixe de água doce da América do Sul.
Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), concluiu que existe apenas uma espécie de pirarucu em todo o sistema Amazonas-Solimões. A pesquisa, publicada na revista científica Neotropical Ichthyology, contraria trabalhos anteriores que sugeriam a existência de diferentes espécies do peixe na região.
Para chegar ao resultado, os pesquisadores analisaram 90 exemplares coletados em quatro importantes áreas da Amazônia: Alto Solimões, rio Juruá, rio Purus e baixo rio Amazonas. Ao todo, 82 peixes foram avaliados por meio de registros fotográficos e 70 passaram por análises genéticas, abrangendo mais de mil quilômetros da bacia amazônica.
Considerado o maior peixe de água doce da América do Sul, o pirarucu possui grande importância ecológica, econômica e social para a região. Além de ser uma das principais fontes de renda e alimentação de comunidades ribeirinhas, a espécie é classificada como vulnerável em seu habitat natural. Em contrapartida, quando introduzida em outras bacias hidrográficas, como as dos rios São Francisco e Paraná, pode se comportar como um predador que ameaça espécies nativas.
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Segundo o pesquisador Valdenor Magalhães, autor do estudo, as diferenças observadas entre indivíduos, como tamanho dos olhos, número de dentes, formato das nadadeiras, altura do corpo e quantidade de vértebras, representam apenas variações naturais da espécie Arapaima gigas, não sendo suficientes para caracterizar novas espécies.
De acordo com o pesquisador, a combinação de análises genéticas e morfológicas permitiu esclarecer uma dúvida que persistia desde estudos publicados em 2013, os quais apontavam a existência de outras quatro espécies de pirarucu na Amazônia.

Os cientistas destacam que os resultados reforçam a necessidade de fortalecer as estratégias de manejo sustentável da espécie. Como predador de topo da cadeia alimentar, o pirarucu desempenha um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas amazônicos, contribuindo para o controle natural das populações de outras espécies.
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Para os pesquisadores, preservar o Arapaima gigas por meio da exploração sustentável é fundamental não apenas para garantir a sobrevivência da espécie, mas também para manter a biodiversidade e o equilíbrio ambiental da Amazônia.