Relatório enviado ao STF indica possível manipulação de avaliações de imóveis usados como garantia em negócios financeiros; investigação também cita diálogo entre Daniel Vorcaro e o então presidente do BRB sobre operações de R$ 250 milhões
A Polícia Federal (PF) identificou indícios de falsidade ideológica e fraude contra instituição financeira em operações realizadas entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. As suspeitas constam em um relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), datado de 28 de setembro e cujo sigilo foi retirado nesta sexta-feira (9 de outubro).
No documento, os investigadores apontam possíveis irregularidades na utilização de garantias para viabilizar operações financeiras. Segundo a PF, há indícios de que ativos tenham sido superavaliados intencionalmente e de que empresas responsáveis pelas avaliações tenham sido direcionadas para produzir laudos adequados às necessidades previamente estabelecidas nas negociações.
A investigação identificou indícios de solicitações para alterar parâmetros utilizados nas avaliações, incluindo o valor do metro quadrado, além da busca por empresas avaliadoras dispostas a adotar determinadas premissas. Conforme o relatório, essas práticas teriam provocado aumentos expressivos nos valores patrimoniais, sem correspondência com as condições reais do mercado.
Veja também

Bombeiro militar vira réu por matar estudante de medicina durante briga de trânsito em São Paulo
Mais de 40 mil brasileiros mudaram de nome em cartórios após nova lei
“Tal conduta, além de violar os deveres de diligência e veracidade documental, configura indícios robustos de falsidade ideológica e fraude contra instituição financeira, na medida em que os laudos serviram de fundamento para operações que exigiam lastro real idôneo”, afirmou a Polícia Federal.
O relatório também menciona conversas encontradas no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, com Paulo Henrique Costa, que presidia o BRB à época dos fatos investigados.
Em um diálogo ocorrido em agosto de 2024, durante o período em que o BRB adquiria carteiras de crédito do Master, Costa mencionou duas cédulas de crédito bancário (CCBs) aprovadas no valor total de R$ 250 milhões.
Na conversa, o então presidente do BRB afirmou que as garantias necessárias para a operação ainda não estavam formalizadas.
“Na hora H ontem, verificamos que as garantias não estavam constituídas”, escreveu Costa a Vorcaro. Em seguida, acrescentou que a constituição das garantias era um requisito da operação e que aguardava o comprovante da alienação fiduciária de um imóvel em favor do Banco Master.
Segundo a PF, na sequência da conversa, Vorcaro cobrou uma solução para três questões relacionadas a operações financeiras. “Veja se consegue resolver os 3 temas: Cri, CCBs e Di. De hoje pra amanhã”, escreveu o empresário, que também ressaltou a importância de resolver os assuntos.
O relatório utiliza as mensagens como parte dos elementos examinados pelos investigadores para apurar as condições em que os negócios foram realizados e a regularidade das garantias apresentadas.
Em aproximadamente um ano, o BRB adquiriu cerca de R$ 16,176 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master. Desse total, ao menos R$ 12 bilhões teriam sido direcionados a carteiras de crédito consideradas problemáticas vinculadas à empresa Tirreno, conforme as informações apresentadas sobre a investigação.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
As suspeitas envolvendo as operações financeiras e a avaliação dos ativos seguem sob apuração. Os indícios apontados pela Polícia Federal integram a investigação e, por si só, não representam uma condenação dos envolvidos.