Operação apura uso de fundos de investimento para ocultar recursos de acordo firmado entre o governo de Mato Grosso e a Oi; empresa nega irregularidades.
A Polícia Federal ampliou as investigações sobre um suposto esquema de ocultação de recursos relacionados a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi. Nesta quinta-feira (6), agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na sede da gestora Planner, localizada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, considerada um dos principais centros financeiros do país.
Segundo a investigação, dois Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), denominados Golden Bird e Rhodes, teriam sido utilizados para movimentar e dificultar o rastreamento de valores que estariam ligados ao ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a PF, o fundo Golden Bird foi criado em 2018 e, inicialmente, administrado pela Sefer Investimentos, empresa que posteriormente foi liquidada pelo Banco Central. Os investigadores apontam que, em seguida, o fundo teria passado a ser administrado pela Planner, além de integrar uma complexa cadeia de investimentos destinada a dificultar a identificação dos beneficiários finais dos recursos.
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As investigações também citam o fundo Rhodes, criado em 2024, que faria parte da mesma estrutura financeira. Os dois fundos tiveram bens e valores bloqueados por determinação judicial.
Em nota, a Planner contestou as informações apresentadas pela Polícia Federal. A empresa afirmou que jamais administrou o fundo Golden Bird e informou que renunciou à administração do Rhodes FIDC. A gestora declarou ainda que prestou todos os esclarecimentos solicitados pelas autoridades e indicou as instituições responsáveis pela administração dos fundos mencionados.
COMO TERIA FUNCIONADO O ESQUEMA
Segundo a apuração da PF, a origem do caso remonta a 2009, quando o Governo de Mato Grosso cobrou da operadora Oi uma dívida superior a R$ 500 milhões referente ao ICMS. Após mudanças no entendimento jurídico, foi firmado um acordo entre o Estado e a empresa.
As investigações apontam que direitos creditórios avaliados em R$ 389,9 milhões foram adquiridos por um escritório de advocacia por aproximadamente R$ 80 milhões. Posteriormente, o Estado teria aceitado pagar R$ 308,1 milhões pelos mesmos ativos, gerando uma diferença de cerca de R$ 200 milhões, que, conforme a Polícia Federal, teria sido distribuída por meio de uma rede de fundos de investimento.,
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A PF sustenta que parte dessa estrutura teria beneficiado pessoas ligadas ao ex-governador Mauro Mendes e ao deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), atual candidato a vice-governador de Mato Grosso. Os fatos seguem sob investigação, e os citados poderão apresentar defesa no decorrer do processo.