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Pílula anticoncepcional perde espaço na França e mulheres passam a buscar alternativas sem hormônios
Foto: Reprodução

Durante décadas, a pílula anticoncepcional foi símbolo de liberdade feminina e um dos principais métodos para evitar a gravidez. Na França, porém, esse cenário mudou. O uso do medicamento caiu significativamente nos últimos anos, enquanto o dispositivo intrauterino (DIU) passou a ocupar a primeira posição entre os métodos contraceptivos.

 

Segundo dados da pesquisa Contexto das Sexualidades na França, 55,8% das mulheres de 18 a 49 anos que utilizavam métodos contraceptivos recorriam à pílula em 2005. Em 2023, o índice caiu para 26,8%. No mesmo período, o DIU chegou a 27,7%.

 

A mudança também aparece em outros países. Na Alemanha, por exemplo, o percentual de mulheres com menos de 22 anos que utilizavam a pílula caiu de 43% em 2015 para 22% em 2024.

 

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Especialistas apontam que a mudança está relacionada a transformações na forma como as novas gerações enxergam a contracepção. Para mulheres que cresceram com a pílula já disponível, o método deixou de representar a mesma conquista que significou para gerações anteriores.

 

DESCONFIANÇA EM RELAÇÃO AOS HORMÔNIOS

 

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A redução do uso também foi influenciada por alertas sobre os riscos associados a determinadas pílulas hormonais. Em 2012, a divulgação de informações sobre o aumento do risco de trombose relacionado às pílulas de terceira e quarta gerações contribuiu para ampliar a desconfiança.

 

Além dos riscos mais graves, efeitos colaterais como sangramentos, alterações de peso e outros desconfortos também passaram a ser considerados com mais atenção.

 

Para especialistas, muitas mulheres passaram a questionar uma lógica em que a pílula era apresentada como a escolha mais óbvia e passaram a buscar informações sobre outras possibilidades.

 

Em setembro, a Agência Nacional de Segurança do Medicamento da França também anunciou um novo alerta sobre contraceptivos à base de desogestrel, relacionado a um pequeno aumento do risco de meningioma.

 

Apesar disso, especialistas ressaltam que a relação entre benefícios e riscos dos métodos hormonais continua favorável para muitas mulheres.

 

DIU GANHA ESPAÇO

 

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Com a queda da pílula, o DIU ganhou espaço entre as francesas. O método, que por muitos anos foi associado principalmente a mulheres que já tinham filhos, passou a ser procurado também por mulheres mais jovens.

 

A escolha pelo DIU de cobre, por exemplo, aparece entre aquelas que querem evitar hormônios e reduzir a chamada “carga mental” relacionada ao uso diário da pílula.

 

Há ainda mulheres que optam por acompanhar o próprio ciclo menstrual, utilizar preservativos ou combinar diferentes estratégias contraceptivas.

 

Em 2023, 28,3% das mulheres que utilizavam métodos contraceptivos na França recorriam a opções não medicalizadas. A camisinha era a principal escolha dentro desse grupo.

 

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A mudança no comportamento também acompanha um desejo de compreender melhor o próprio corpo. Para algumas mulheres, controlar a fertilidade deixou de significar apenas o uso contínuo de medicamentos e passou a envolver o acompanhamento do ciclo menstrual e a observação dos sinais do organismo.

 

Especialistas, no entanto, alertam que os métodos não hormonais apresentam diferentes níveis de eficácia e não são adequados para todas as pessoas.

 

A escolha deve levar em conta fatores como idade, histórico de saúde, intensidade do fluxo menstrual, risco de gravidez, efeitos colaterais e preferência individual.

 

PÍLULA CONTINUA SENDO UMA OPÇÃO

 

A perda de espaço da pílula não significa que o método tenha deixado de ser importante. Contraceptivos hormonais também podem trazer benefícios para mulheres que sofrem com menstruação intensa, adenomiose ou endometriose.

 

Da mesma forma, o DIU de cobre pode ser uma boa opção para algumas mulheres, mas pode aumentar o sangramento e não ser indicado para quem já enfrenta esse problema.

 

Por isso, especialistas defendem que a contracepção seja escolhida de maneira individualizada, com informação sobre benefícios, riscos e alternativas disponíveis.

 

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A principal mudança, segundo as especialistas, é que a pílula deixou de ser vista como uma escolha automática. Cada vez mais, mulheres buscam decidir qual método se adapta melhor ao próprio corpo e à sua rotina. 

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