Manaus possui 67 igarapés oficialmente reconhecidos, distribuídos pelas bacias urbanas de São Raimundo, Educandos, Tarumã e Puraquequara. Segundo estimativas da Comissão Interinstitucional em Defesa dos Igarapés de Manaus, cerca de 80% desses cursos d’água apresentam algum nível de poluição, situação que afeta o meio ambiente e reduz o acesso da população a esses espaços.
O problema também está relacionado ao aumento das temperaturas na capital amazonense. Pesquisas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) apontam que a perda da vegetação nas áreas próximas aos igarapés reduz uma barreira natural contra o calor. As árvores ajudam a diminuir a temperatura por meio da sombra e da evapotranspiração, além de contribuírem para a manutenção da qualidade e do nível da água.
Entre as causas apontadas para a degradação estão o crescimento desordenado de ocupações, a falta de educação ambiental, a presença de resíduos e a deficiência no tratamento de esgoto. A Comissão Interinstitucional afirma que parte do esgoto ainda chega aos cursos d’água sem tratamento adequado, dificultando a recuperação dos igarapés.
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A Águas de Manaus informou que a cobertura de esgotamento sanitário na capital passou de 16% para 42% entre 2018 e 2026. A empresa afirma que pretende universalizar o serviço em menos de dez anos e prevê investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões até 2033 por meio do programa Trata Bem Manaus.
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Apesar do cenário de degradação, especialistas afirmam que a recuperação é possível. Segundo uma pesquisadora ouvida na reportagem, uma etapa inicial poderia levar cerca de dois anos, desde que haja controle das fontes de poluição e participação da população. Um dos projetos em andamento busca recuperar o Igarapé do Coroado, nas proximidades da Ufam, como possível modelo para ações semelhantes em outras áreas da cidade.