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Procurador-geral da Bolívia é preso após investigar caso envolvendo Fernando Cerimedo
Foto: Divulgação

Roger Mariaca foi detido dois dias depois de ter o visto para os EUA revogado; governo boliviano o acusa de integrar uma organização ligada ao narcotráfico

O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso na noite de quarta-feira (30), em meio a uma operação contra autoridades suspeitas de envolvimento com uma organização criminosa ligada ao narcotráfico. Mariaca estava à frente de investigações envolvendo o argentino Fernando Cerimedo, operador digital ligado a políticos de direita da América Latina.

 

A prisão ocorreu no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz. Além de Mariaca, o procurador departamental de Santa Cruz, Alberto Zeballos, também foi detido. Ao todo, 14 pessoas foram presas na operação, segundo autoridades bolivianas. Entre os detidos está o ex-ministro do governo anterior Eduardo Del Castillo.

 

O governo do presidente Rodrigo Paz acusa Mariaca de liderar uma estrutura criminosa infiltrada no sistema de Justiça e relacionada à proteção de traficantes de drogas. O ministro do Interior, Marco Antonio Oviedo, afirmou que a investigação aponta para possíveis crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

 

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As autoridades também divulgaram imagens de dinheiro encontrado durante buscas relacionadas à operação. Segundo o governo, parte dos valores teria sido localizada em um compartimento de um veículo ligado à residência de Mariaca. As acusações ainda serão submetidas às investigações e ao devido processo legal.

 

A Procuradoria-Geral da Bolívia, por outro lado, contestou a forma como a prisão foi realizada. Funcionários da instituição fizeram uma transmissão pelas redes sociais e classificaram a detenção de Mariaca como um “sequestro”, alegando que não havia sido apresentado mandado judicial ou documento que explicasse os motivos da ação.

 

A prisão aconteceu apenas dois dias depois de os Estados Unidos anunciarem a revogação do visto de Mariaca e de outras autoridades bolivianas. Washington acusou os envolvidos de corrupção e vínculos com o narcotráfico, enquanto Mariaca negou as acusações e afirmou que a medida poderia estar relacionada às investigações conduzidas pelo Ministério Público boliviano.

 

Entre os casos citados pelo próprio procurador estava a investigação contra Fernando Cerimedo. Após ter o visto cancelado, Mariaca afirmou que determinadas apurações conduzidas na Bolívia tinham repercussões internacionais e mencionou especificamente o caso envolvendo o argentino.

 

Cerimedo foi preso na Bolívia em agosto e é investigado por suspeita de tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Nadia Beller, além de acusações relacionadas a enriquecimento ilícito e tráfico de drogas. A defesa do argentino nega as acusações e sustenta que ele é vítima de uma armação política.

 

O argentino ganhou notoriedade no Brasil em 2022, quando participou de uma transmissão na internet na qual questionou, sem apresentar provas, o resultado das eleições presidenciais brasileiras. Ele também manteve relações profissionais com grupos políticos ligados aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Rodrigo Paz, da Bolívia.

 

Durante as investigações envolvendo Cerimedo, autoridades bolivianas também encontraram uma estrutura descrita como uma “fazenda de cliques” em um endereço relacionado ao argentino. O local teria sido utilizado para mobilizar contas automatizadas nas redes sociais.

 

Mariaca foi eleito pelo Parlamento boliviano em 2024, durante o governo de Luis Arce, para um mandato de seis anos. Depois das acusações feitas pelos Estados Unidos, o Congresso boliviano convocou uma sessão para 5 de outubro para discutir a situação do Ministério Público.

 

O episódio ocorre em meio à aproximação entre o governo de Rodrigo Paz e os Estados Unidos. A administração de Donald Trump vem ampliando a cooperação com países latino-americanos em ações relacionadas ao combate ao narcotráfico e à criminalidade organizada.

 

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As circunstâncias da prisão de Mariaca, as acusações contra ele e a possível relação entre a operação e as investigações envolvendo Cerimedo deverão ser esclarecidas ao longo das apurações conduzidas pelas autoridades bolivianas. 

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