Nível do rio caiu 5,21 metros ao longo do mês e chegou a 18,88 metros nesta quarta-feira (30); projeções apontam possibilidade de uma das maiores secas da história recente
O Rio Negro registrou uma queda de 5,21 metros no nível em Manaus durante o mês de setembro. De acordo com dados do Porto de Manaus, a cota passou de 24,09 metros no dia 1º para 18,88 metros nesta quarta-feira (30).
A vazante ganhou velocidade principalmente na segunda metade do mês. Entre os dias 19 e 25 de setembro, a redução chegou a 23 centímetros em um único dia, aumentando a preocupação de pesquisadores e órgãos que acompanham o comportamento dos rios da região.
No início do mês, a descida do Rio Negro já apresentava ritmo significativo. Em 9 de setembro, por exemplo, o nível estava em 22,95 metros, após uma redução de 94 centímetros em apenas sete dias.
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Com a continuidade da vazante, as projeções para o fim do período de estiagem passaram a apontar para níveis ainda mais baixos na orla de Manaus.
Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) avaliam que a seca de 2026 pode ficar entre as mais severas já registradas na capital amazonense.
PROJEÇÕES APONTAM NÍVEL ABAIXO DOS 16 METROS
Os estudos apresentados pelos pesquisadores indicam que o Rio Negro pode atingir uma cota entre 13 e 16 metros na região de Manaus.
Em um cenário mais severo, a estimativa chega a 12,92 metros, marca próxima da menor cota já registrada na capital. O recorde histórico ocorreu em 4 de outubro de 2024, quando o rio chegou a 12,66 metros.
Projeções divulgadas pelo SGB no início de setembro também indicavam que o nível poderia terminar outubro entre 12,31 e 16,50 metros, dependendo da quantidade de chuvas e do comportamento da bacia nas próximas semanas.
SECA PODE ENTRAR ENTRE AS MAIORES DA SÉRIE HISTÓRICA
Caso o cenário mais severo se confirme, os pesquisadores apontam que a vazante de 2026 poderá figurar entre as três maiores secas já registradas na série histórica do Rio Negro em Manaus.
Os anos de 2015, 2023 e 2024, considerados períodos críticos, foram utilizados como referências para os estudos e projeções apresentados pelo SGB.
A situação ocorre após uma sequência de anos com níveis historicamente baixos do rio, especialmente em 2023 e 2024.
EL NIÑO INFLUENCIA PERÍODO DE ESTIAGEM
Entre os fatores relacionados ao cenário está a atuação do El Niño, fenômeno climático que pode alterar o regime de chuvas na Amazônia e contribuir para períodos de menor precipitação.
A redução das chuvas durante a estiagem dificulta a reposição dos volumes de água da bacia e pode favorecer uma descida mais rápida dos níveis dos rios.
Pesquisadores e órgãos de monitoramento já apontavam, desde agosto, que setembro seria um período importante para determinar a intensidade da vazante de 2026.
RIO NEGRO DEVE CONTINUAR BAIXANDO
Historicamente, o Rio Negro costuma atingir a menor cota do ano em Manaus entre outubro e novembro. Após o pico da estiagem, o nível começa a se recuperar gradualmente com o retorno das chuvas e o início do período de cheia.
Com o rio atualmente em 18,88 metros e a vazante mantendo ritmo acelerado, a expectativa é de que o nível continue recuando nas próximas semanas.
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A evolução da cota dependerá principalmente do volume de chuvas registrado na bacia e das condições climáticas que deverão marcar o restante do período de estiagem.